Santa Cruz proclama autonomia e diz não aceitar militarização

A proclamação foi simbólica e aconteceu em uma concentração em massa de dezenas de milhares de pessoas

EFE,

16 de dezembro de 2007 | 03h13

Os líderes do departamento boliviano de Santa Cruz proclamaram neste sábado, a autonomia da região com um estatuto que pretendem submeter a referendo para validação, e afirmaram que não permitirão a "invasão" ou a "militarização" da região. A proclamação foi simbólica e aconteceu em uma concentração em massa de dezenas de milhares de pessoas que deram seu respaldo ao estatuto apresentado pela Assembléia Provisória Autônoma, formada por diversas organizações representativas da região. O governador regional de Santa Cruz, Rubén Costas, e o presidente do Comitê Cívico de Santa Cruz, Branco Marinkovic, proclamaram a autonomia e anunciaram que os estatutos serão submetidos a um referendo que planejam convocar após recolher um milhão de assinaturas. Além de Santa Cruz, onde há 2,5 milhões de habitantes, houve atos similares em Tarija, Beni e Pando, as outras regiões da Bolívia que querem um regime autônomo. "Isto não é uma bravata. Que nunca tenham coragem de nos invadir, que não tenham coragem de nos militarizar", advertiu Costas, em alusão à possibilidade de que o Governo tome medidas contra o processo autônomo. O ato em Santa Cruz concentrou dezenas de milhares de pessoas horas depois de Evo Morales liderar uma concentração não tão grande na Praça de Armas de La Paz para apresentar o projeto constitucional que impulsiona. O vice-presidente Álvaro García Linera sustentou que esses estatutos vão além da autonomia e promovem um federalismo que visa à repartição dos cargos públicos entre os grupos de poder regionais. "A autonomia é um pretexto para seu interesse pessoal, para monopolizar terras e recursos", afirmou García Linera ao destacar que a nova Carta Magna garantirá outro tipo de autonomia. Os conflitos começaram a se agravar no fim de novembro, depois de a situação aprovar em primeira instância o novo texto constitucional em um colégio militar da cidade de Sucre, em meio a distúrbios que deixaram três mortos e 300 feridos. Há uma semana, o texto constitucional foi ratificado na cidade de Oruro e será votado em um referendo que Morales qualificou hoje como a "última batalha" contra a oposição. Uma possível onda de violência que cause a divisão do país centrou a preocupação dos embaixadores credenciados na Bolívia, além de empresários, das igrejas Católica e evangélica, de associações de imprensa e da Defensoria Pública.

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