Mauricio Dueñas/Efe
Mauricio Dueñas/Efe

Santos começa a traçar estratégia para combater narcotráfico e as Farc

Em reunião no Ministério de Defesa, necessidade de dar seguimento às políticas de Uribe foi ressaltada

Efe,

22 de junho de 2010 | 17h57

BOGOTÁ- O presidente eleito da Colômbia, Juan Manuel Santos, começou a delinear nesta terça-feira, 22, a estratégia que empregará a partir de 7 de agosto, quando tomará posse do cargo, para combater o narcotráfico e as Farc, os maiores problemas de segurança do país.

 

Santos visitou a sede do Ministério de Defesa, onde se reuniu com o titular da pasta, Gabriel Silva, e a cúpula militar para coordenar o "processo de emenda" ou transição de seu governo em temas de segurança e defesa.

 

O tema principal do encontro foi a necessidade de dar continuidade à Segurança Democrática - eixo central do governo Uribe - e a política destinada às Farc nos últimos oito anos.

 

Santos, como ministro de Defesa da Uribe, liderou importantes operações que enfraqueceram a guerrilha, entre elas, a "Operação Fênix", na qual morreu o número dois das Farc, Rául Reyes, e a "Operação Jaque", que resgatou 15 reféns, entre eles Ingrid Betancourt e três americanos, ambas em 2008.

 

"Tivemos uma reunião muito agradável com o senhor ministro, com os altos comandantes, com os senhores vice-ministros. Como vocês verão, me sinto em casa, voltando ao meu lugar", disse Santos, em referência aos três anos em que foi ministro de Defesa, período em que as Farc foram duramente combatidas.

 

Por isso, Santos se mostrou confiante de que seu governo continuará "dando golpes no narcotráfico, no terrorismo e continuará lutando pela segurança" dos colombianos.

 

O presidente eleito foi recebido no Ministério com fortes aplausos de dezenas de funcionários que o esperavam para cumprimentá-lo por sua vitória nas eleições de domingo passado, quando obteve 69% dos votos no segundo turno presidencial.

 

Santos aproveitou para cumprimentar os comandantes militares que lideraram a "Operação Camaleão", uma ação militar na qual foram resgatados quatro reféns em poder das Farc em 13 de junho. O sucessor de Álvaro Uribe também parabenizou as Forças Militares pela grande notícia divulgada nesta manhã, em alusão ao relatório da ONU que informa que a Colômbia não é mais o primeiro produtor mundial da folha de coca, posto agora ocupado pelo Peru.

 

Repórteres Sem Fronteiras

 

A organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) solicitou hoje a Santos que rompa com as práticas de Uribe.

 

Após lembrar que Santos foi ministro da Defesa e herdeiro político do ex-presidente, a RSF acusou os serviços secretos da Colômbia de terem praticado "intercepções selvagens", passando por campanhas de descrédito sistemático e "propaganda negra", durante a presidência de Uribe.

 

Tais práticas, compiladas em um relatório que a RSF publicou no dia 20, incluem manobras de espionagem contra personalidades e ativistas estrangeiros, como a advogada iraniana e Prêmio Nobel da Paz Shirin Ebadi, o chileno José Miguel Vivanco, diretor para as Américas da organização Human Rights Watch, e vários representantes diplomáticos na Colômbia.

 

Por isso, a RSF pediu a Santos que se desvincule das ações que a organização pró-direitos dos jornalistas considera "gravíssimas violações dos direitos humanos e das liberdades fundamentais garantidas pela Constituição política de 1991, entre as que figuram a de informar e ser informado".

 

Além disso, a RSF insistiu que "a reforma dos serviços de inteligência (da Colômbia) não pode nem deve ser feita sem a desclassificação completa das gravações e documentos compilados pelo Departamento Administrativo de Segurança (DAS) e as demais administrações durante sua caça a jornalistas e defensores dos direitos humanos".

 

Ebadi, que viajou à Colômbia durante a presidência de Uribe para se reunir com associações de famílias das vítimas do conflito, disse estar "comovida com estas revelações" e disposta a levar o caso perante uma jurisdição internacional, lembrou a RSF, com sede em Paris.

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