Santos e Chávez declaram otimismo para encerrar crise

Os presidentes da Colômbia, Juan Manuel Santos, e da Venezuela, Hugo Chávez, demonstraram otimismo para a reunião desta terça-feira em que tentarão restabelecer as relações bilaterais diplomáticas e comerciais, pondo fim a uma prolongada disputa por questões de segurança.

PATRICK MARKEY E LUIS JAIME ACOSTA, REUTERS

10 de agosto de 2010 | 17h32

Tensões entre os vizinhos andinos aumentaram há mais de um ano, com o socialista Chávez impondo o que a Colômbia diz ser um embargo comercial. Mas as negociações desta terça-feira na cidade de Santa Marta poderiam encerrar o impasse.

No centro da disputa estão as alegações colombianas de que Chávez abriga guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) em seu território, além das reclamações da Venezuela sobre o acordo militar da Colômbia permitindo o acesso de tropas norte-americanas a suas bases militares.

Essas questões e as diferenças ideológicas poderiam ser difíceis de serem resolvidas no curto prazo, mas ambos os líderes terão benefícios com uma decisão de retomar o comércio bilateral de 7 bilhões de dólares por ano, pois buscam um estímulo para a recuperação econômica.

"Aqui começaremos, tenho certeza, porque viemos com a vontade à frente, com o coração à frente, com o amor à frente, a começar pacientemente a reconstruir o que foi desmoronado", disse Chávez ao chegar a Santa Marta, cidade do Caribe escolhida para o encontro e local da morte de Simón Bolívar, herói da independência de ambas as nações.

"Contamos com muitos recursos para construir novas e boas relações entre Colômbia e Venezuela. Depois de todas estas tormentas, Colômbia, venho ratificar o meu amor, que será eterno", acrescentou o presidente venezuelano, que se considerou como um soldado da paz.

Já o presidente Santos, que assumiu o governo no fim de semana no lugar de Álvaro Uribe, expressou um otimismo mais moderado sobre os resultados do encontro, o primeiro entre os dois mandatários de ideologias distintas.

"Vamos buscar que as relações entre os dois países irmãos, como são Venezuela e Colômbia, possam se restabelecer sobre bases firmes e perduráveis", afirmou Santos na chegada para o encontro.

"Vamos buscar que todos os mecanismos se normalizem e melhorem a cada dia. Chegamos à reunião com otimismo, mas sem gerar expectativas exageradas, porque acredito que depois da reunião é quando realmente poderemos saber seus verdadeiros resultados", acrescentou.

Santos herdou um conflito esquentado nos últimos dias do governo Uribe, quando autoridades colombianas denunciaram que comandantes das Farc e do Exército de Liberação Nacional (ELN) se refugiavam na Venezuela, perto da fronteira, com tolerância de Caracas.

O novo presidente colombiano disse durante a campanha eleitoral que ele e Chávez eram "como água e azeite", mas se comprometeu a manter boas relações sob respeito mútuo. Em resposta, Chávez disse que um governo de Santos representaria uma ameaça de guerra na região.

Tudo o que sabemos sobre:
COLOMBIACHAVEZNEGOCIAM*

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.