Santos inicia novo mandato na Colômbia em meio a tensão com as Farc

Juan Manuel Santos assumiu nesta quinta-feira seu segundo mandato como presidente da Colômbia com a promessa de concretizar um acordo de paz com a guerrilha, mas voltou a ressaltar a tensão nas negociações ao advertir os rebeldes que sua paciência não é infinita.

LUIS JAIME ACOSTA, REUTERS

07 de agosto de 2014 | 20h48

O economista de centro-direita conquistou a reeleição em junho hasteando a bandeira da paz para pôr fim ao conflito armado de 50 anos com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), que deixou mais de 200 mil mortos e milhões de deslocados.

"Nosso primeiro pilar será a paz. Estamos diante de um processo responsável e consistente, ao qual os colombianos deram seu apoio em 15 de junho. Vou empregar todas minhas energias para cumprir esse mandato de paz", disse Santos em seu discurso no Congresso ante 11 presidentes e enviados de mais de 70 países.

E o entorno político o ajuda: ele tem o apoio de uma coalizão de partidos que lhe garante uma maioria confortável no Congresso para obter a eventual implementação de um acordo de paz.

A economia, que cresce em bom ritmo comparada à desaceleração que seus vizinhos maiores sofrem, também garantiu o apoio de muitos colombianos.

Mas nas últimas semanas as negociações com as Farc ficaram tensas.

Santos advertiu que poderia interromper o processo de diálogo em Havana se os ataques do grupo e do Exército de Liberação Nacional (ELN) a instalações petrolíferas e energéticas, assim como à população civil, continuarem.

"A paciência dos colombianos e da comunidade internacional não é infinita. Senhores das Farc: fiquem avisados!", afirmou o mandatário.

"A guerra continua enquanto não se chega a um acordo – isso já sabemos – mas poupem as crianças, as mulheres, os civis de suas ações violentas, não dinamitem as estradas dos camponeses", acrescentou.

Embora as duas partes estejam na mesa de negociações, a guerrilha e o governo, com suas forças armadas, continuam lutando nas montanhas e selvas, dada a recusa de Santos a um cessar-fogo proposto pelo grupo rebelde. Seu argumento é que as guerillhas poderiam tirar vantagem militar e prolongar indefinidamente as negociações.

Desde que começaram a negociar, em novembro de 2012, as partes só chegaram a acordos parciais sobre o acesso de camponeses pobres as terras, a participação dos rebeldes na política e o fim dos cultivos de coca e papoula.

Ainda ficaram por debater temas complexos como a compensação às vítimas da guerrilha, o fim das hostilidades e um mecanismo que permita verificar o cumprimento dos acordos.

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