Saques e gangues ameaçam distribuição de ajuda humanitária

Polícia mata homem durante saque no Haiti; gangues que fugiram durante terremoto podem voltar às ruas

estadao.com.br,

17 de janeiro de 2010 | 15h02

Soldado americano protege alimentos de saque em Porto Príncipe. Marco Domino/Minustah/AP

PORTO PRÍNCIPE -  Incidentes isolados de violência têm preocupado agências humanitárias e autoridades americanas responsáveis pela distribuição do auxílio às vítimas do terremoto do último dia 12 no Haiti. Neste domingo, 17, a polícia haitiana abriu fogo contra um grupo de saqueadores em um supermercado. Ao menos um suspeito morreu, segundo a agência France Presse. Além disso, a ação de criminosos que fugiram de uma cadeia semidestruída pelo tremor também preocupa as autoridades.

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Segundo fontes humanitárias e do contingente da ONU, a distribuição de comida aos centenas de milhares de desabrigados pelo terremoto de terça-feira passada no Haiti enfrenta dificuldades por razões de segurança.

 

Incidentes violentos têm complicado o trabalho de ajuda humanitária às vítimas do terremoto, disse o tenente-general Ken Keen, do Comando Sul Americano, que comanda a operação de auxílio no Haiti.

"Apesar da situação nas ruas estar calma, há cada vez mais incidentes violentos. Teremos que fazer algo a respeito. Eles dificultam nossa tarefa de respaldar o governo haitiano", disse.

 

Um homem acusado de roubo foi linchado por haitianos neste domingo. Ele foi atacado depois de moradores da cidade terem visto ele roubando alimentos.

 

"Os haitianos estão fazendo justiça com as próprias mãos. Não há cadeia e os criminosos estão à solta. As autoridades não estão dando conta", disse o professor Eddy Toussaint, que testemunhou a cena.

Tumultos

 

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Os constantes tumultos durante as operações de distribuição de mantimentos fizeram com que as agências da ONU e o governo haitiano precisem de fortes contingentes de segurança durante as atividades.

No Champ de Mars, uma enorme praça em frente ao palácio presidencial, uma equipe boliviana distribuiu hoje quatro mil litros de água. De seus 80 homens, dez se encarregavam da distribuição. Os outros 70 tinham como função manter a segurança e a ordem nas filas.

"Não anunciamos nunca o local onde vamos distribuir comida para evitar tumultos", declarou à Agência Efe o capitão Marco León Peña, do contingente boliviano da Minustah, a missão de paz da ONU no Haiti.

León Peña e outras testemunhas relataram cenas de caos e agressões durante operações de distribuição de comida. O Exército americano optou em algumas ocasiões por lançar os pacotes de comida de helicópteros.

Em muitos pontos da capital haitiana, Porto Príncipe, é possível ver cartazes com mensagens como "SOS" ou "Ajuda" escritas em vários idiomas.

Gangues

Outra questão que preocupa as autoridades e as agências humanitárias é a fuga de líderes de gangues do presídio de Porto Príncipe, afetado pelo tremor. Os criminosos, que controlavam a favela de Cite Soleil antes da chegada da Missão de Paz da ONU (Minustah) ao país, voltaram as ruas e sua presença já é sentida nas ruas.

"É natural que eles voltem aqui. É a base deles", disse um policial que não quis se identificar à Reuters. À noite, tiros voltaram a ser ouvidos nas favelas e os criminosos têm atacado civis com rifles e motocicletas roubadas durante a fuga em meio ao terremoto.

Com informações da Efe e da Reuters

 

 

 

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