Saques em supermercados terminam com 2 mortos na Argentina

Duas pessoas morreram na sexta-feira durante saques a supermercados em uma populosa cidade argentina, enquanto agentes de segurança tentavam evitar mais ataques em outras localidades, numa onda de violência atribuída pelo governo a sindicatos da oposição.

Reuters

21 de dezembro de 2012 | 18h01

A polícia usou gás lacrimogêneo e balas de borracha para frear dezenas de pessoas que tentavam entrar à força em um hipermercado da rede francesa Carrefour na populosa periferia norte de Buenos Aires.

Imagens de TV mostraram dezenas de jovens atirando pedras nos policiais que cercavam o supermercado localizado em San Fernando, cidade cerca de 30 quilômetros ao norte de Buenos Aires, onde há vários bairros pobres.

Os saques a supermercados começaram na quinta-feira em Bariloche, pólo turístico no sul da Argentina, e depois se estenderam a outras localidades das províncias de Buenos Aires, Santa Fé e Chaco.

"Quando se vê que levaram (TVs de) plasma, não é fome", disse a jornalistas o governador da província de Buenos Aires, Daniel Scioli, garantindo que os saques não foram protagonizados por pessoas com queixas sociais.

As imagens evocam o triste Natal que os argentinos viveram em 2001, quando o então presidente Fernando de la Rúa renunciou em meio a uma onda de violência e uma grave crise econômica e social, que jogou metade da população na pobreza.

A presidente Cristina Kirchner acusou em várias ocasiões a oposição, os meios de comunicação e os empresários de tentarem desestabilizar seu governo para frear reformas economias e sociais que seus críticos qualificam de populistas.

Cerca de 250 pessoas foram detidas nos saques. Em Rosário, principal cidade da província de Santa Fé, duas pessoas morreram baleadas em meio à onda de ataques a supermercados.

O governo mobilizou 400 policiais para reforçar a segurança em Bariloche, onde centenas de pessoas com os rostos escondidos saquearam um loja da rede norte-americana Wal-mart.

"Há uma setor na Argentina que quer levar o caos, à violência e tingir de sangue nossas festas", disse a uma rádio o vice-ministro da Segurança, Sergio Berni, que estava em Bariloche. "Esta não é a mesma Argentina de 2001", acrescentou.

Mas a economia, que vinha se recuperando desde 2003, estancou neste ano, a situação fiscal e o ambiente para negócios se deterioraram, e a elevada inflação golpeia os bolsos da classe média e de setores com menores recursos.

Berni disse que a violência registrada na localidade portuária de Campana, cerca de 80 quilômetros ao norte de Buenos Aires, foi orquestrada por grupos vinculados a um sindicato de caminhoneiros dirigido por Hugo Moyano, que também dirige a central sindical oposicionista CGT.

"Talvez isso seja fruto da necessidade que muita gente está passando. Não posso imaginar que isso possa ser organizado por alguém", disse Moyano a uma rádio, sem responder às acusações do governo.

(Reportagem de Guido Nejamkis e Alejandro Lifschitz)

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