Sarkozy pede ajuda de Nestor Kirchner em diálogo com as Farc

Brasil e Argentina podem entrar na mediação, assessorando o governo colombiano na libertação dos reféns

Ansa e Efe,

07 de dezembro de 2007 | 11h58

O presidente francês Nicolas Sarkozy pediu a "ajuda" do presidente argentino, Néstor Kirchner, para convencer as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) a libertar os reféns em poder da guerrilha, entre os quais está a franco-colombiana Ingrid Betancourt.   Veja também: Farc respondem a apelo de Sarkozy por reféns Tensão na América do Sul    Segundo o jornal Clarín, Sarkozy enviou uma carta ao presidente argentino - que na próxima semana será substituído na Casa Rosada pela sua esposa, Cristina Fernandez Kirchner -, na qual diz: "preciso de sua ajuda". "Para atingir este objetivo, tenho o apoio de todos os franceses. Mas preciso também do seu. Serei muito grato por isso, como será também a totalidade dos franceses", prossegue a carta de Sarkozy. A liberação de Betancourt "poderia ser o primeiro passo para trazer a paz de volta para a Colômbia", conclui o presidente francês.   O anúncio do pedido francês acontece dias depois da mãe de Betancourt, pedir ao governo brasileiro e ao presidente Luis Inácio Lula da Silva que intervenha nas negociações pela libertação da filha. A entrada de Brasil e Argentina serviriam mais como uma assessoria nas negociações promovidas pelo presidente colombiano, Álvaro Uribe, já que Kirchner e Lula não possuem nenhum tipo de abertura com os rebeldes das Farc.     O pedido de Sarkozy coincide com a posse de Cristina Kirchner, na segunda-feira em Buenos Aires, cidade que estará fervilhando de diplomatas de todos os países da região, inclusive franceses, colombianos e brasileiros. Cristina ainda convidou a mãe de Betancourt para sua posse.   O jornal argentino diz ainda que o governo colombiano negou que pediu o apoio de Cristina para as negociações e reiterou que a iniciativa é de responsabilidade de Paris.   Na quinta-feira, Sarkozy voltou a intervir pessoalmente do caso dos 45 reféns em poder dos guerrilheiros colombianos ao enviar duas mensagens - uma no rádio, endereçada aos reféns, e outra transmitida pela televisão, destinada ao líder das Farc, Manuel Marulanda. Nas gravações, Sarkozy apelou aos "sentimentos humanitários" dos guerrilheiros colombianos para "salvar" Ingrid Betancourt e acrescentou que "espera" vê-la de volta à família para o Natal.   Resposta das Farc   A França declarou nesta sexta que ainda espera uma resposta concreta de Marulanda, ao pedido de Sarkozy para que a organização liberte a ex-candidata presidencial colombiana. O porta-voz da Presidência francesa, David Martinon, disse que a reação das Farc a essa mensagem não tem valor, já que Sarkozy tinha se dirigido expressamente ao chefe da guerrilha.   Segundo a BBC, a mensagem publicada na internet na página da Anncol, uma agência de notícias que tradicionalmente divulga comunicados das Farc, o grupo rebelde afirma que as intenções de Sarkozy são louváveis, mas que "a mediação internacional não deve se converter em favores a um ou outro grupo em disputa" e só pode ser bem-sucedida se for imparcial.   No comunicado, as Farc voltavam a acusar o presidente colombiano, Álvaro Uribe, de representar "um impedimento" para uma troca de reféns por guerrilheiros, e insistiram em pedir retirada de tropas de uma área do sudoeste do país, um pedido que o governo de Bogotá rejeita.   A oferta de Sarkozy foi elogiada pelo presidente da Colômbia, Álvaro Uribe. "Como presidente da França, Sarkozy exige a libertação de Ingrid Betancourt, e como cidadãos colombianos, nós também deveríamos lutar por todos os reféns e pelo fim dos seqüestros", disse Uribe.   Na última terça-feira, o governo colombiano já havia pedido a Sarkozy que "acompanhasse" a busca por um acordo humanitário com as Farc.No final de novembro, o governo colombiano pôs fim à mediação exercida pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez, com as Farc, o que desencadeou uma crise diplomática entre os dois países.   A mediação de Chávez, iniciada em agosto, tinha apoio de familiares dos reféns, mas foi encerrada por Uribe sob a alegação de que o presidente venezuelano havia desrespeitando um acordo entre os dois, segundo o qual não poderia se comunicar diretamente com o alto comando militar colombiano.

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