Se nacionalizar Santander, Chávez será maior banqueiro do país

Jornal diz que manobra para controlar economia dará ao governo o poder sobre 25% dos créditos financeiros

Agências internacionais,

01 de agosto de 2008 | 08h41

Em um passo importante para consolidar o modelo em que o Estado é o eixo da economia, o presidente venezuelano, Hugo Chávez, anunciou a nacionalização do Banco de Venezuela, o terceiro maior do país e de propriedade do grupo espanhol Santander. Segundo o jornal El Universal, caso a compra seja concretizada, o governo se tornará o maior banqueiro do país, controlando quase 25% dos depósitos do sistema bancário.   Veja também: Santander confirma negociação com a Venezuela   Segundo a BBC, o Banco da Venezuela é um dos principais do sistema financeiro do país e conta com pelo menos US$ 700 milhões investidos em operações na Venezuela. "Chamei o [Grupo Santander] para que comecemos a negociar", disse Chávez, em um discurso transmitido em cadeia nacional de rádio e TV. "Eles disseram que não estavam interessados em vender e eu lhes disse que quero comprar e vou fazer isso. Vamos nacionalizar o Banco da Venezuela", afirmou.   Segundo o jornal venezuelano, se Chávez conseguir nacionalizar o banco, o governo terá controle de 16,44% dos créditos do sistema bancário e 24,38% dos depósitos, enquanto o Banesco, instituição que estaria em segundo lugar no montante, teria 15,26% de créditos e 14,14% de depósitos. Com as 269 agências da instituição ligada ao Santander no país, o governo contaria com 561, ou seja, 17% do total de estabelecimentos no sistema financeiro. Além disso, Chávez transformaria os 5.861 funcionários do banco em servidores públicos.   Chávez disse que tomou a decisão após descobrir que o Santander havia iniciado contatos com um banqueiro local para vender o Banco de Venezuela, que o grupo espanhol comprou em 1996. Segundo ele, depois que seu governo se ofereceu para comprar o banco, o Santander retirou a oferta de venda.  "Que o vendam ao governo, ao Estado. Vamos recuperar o Banco da Venezuela, nos faz muita falta um banco dessa magnitude", disse Chávez. "Este é um país que está recuperando suas riquezas", acrescentou.   Desde 2007, Chávez ordenou a nacionalização das companhias de telecomunicações, eletricidade e siderurgia. Ele também modificou as empresas mistas com petrolíferas estrangeiras na Faixa do Rio Orinoco para obter seu controle acionário. Até agora, as nacionalizações foram feitas após um acordo econômico entre as partes.   O anúncio ocorre depois do reencontro de Chávez com o rei da Espanha, Juan Carlos de Borbón, na semana passada, em que ambos restabeleceram o diálogo depois do incidente diplomático em que o rei mandou que Chávez se calasse, durante a Cúpula Ibero-americana, no ano passado.   Chávez disse que a nacionalização do banco gerará na Espanha "uma verdadeira campanha" contra seu governo. "Não faltarão os meios de comunicação da Espanha, vão dizer que sou um autocrata (...) para prejudicar as relações que acabamos de retomar", disse o presidente, em referência à visita ao rei e ao presidente espanhol José Luis Rodríguez Zapatero.

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