Secretário-geral da OEA pedirá retorno de Cuba ao grupo

Havana rouba a cena na Cúpula das Américas, que começa nesta sexta-feira sem a participação cubana

Agências internacionais,

17 de abril de 2009 | 13h20

O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, afirmou nesta sexta-feira, 17, que pedirá para que Cuba seja readmitida no bloco. Desde 1962, por causa da revolução castrista, Cuba está suspensa da OEA - consequentemente, não faz parte da Cúpula das Américas, que começa nesta sexta em Trinidad e Tobago.

 

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"Vamos passo a passo, meu primeiro plano é que revoguemos a resolução de 1962 e é isso que pedirei para a Assembleia Geral da OEA", afirmou Insulza aos repórteres durante um dos intervalos das sessões prévias da 5ª Cúpula, que acontece até domingo. A próxima Assembleia Geral da OEA será realizada no fim de maio em San Pedro Sula, em Honduras.

 

Cuba foi suspensa em 1962 sob o argumento de que seu sistema político não era compatível com as cartas da organização. Após a resolução, todos os países romperam relações diplomáticas com Havana, exceto o México, mas acabaram retomando contatos posteriormente. A decisão coincidiu com a imposição do embargo comercial a Cuba pelo governo dos Estados Unidos. O anúncio vem à tona um dia depois de o presidente de Cuba, Raúl Castro, ter-se declarado preparado para discutir todo e qualquer tópico com os EUA, da liberdade de imprensa à libertação de prisioneiros políticos.

 

Cúpula das Américas

 

O presidente dos EUA, Barack Obama, deve chegar em Trinidad e Tobago também com Cuba em mente, já que vários presidentes adiantaram que as ações do norte-americano tomou, retirando restrições a viagens e remessas de cubano-americanos para a ilha, não eram suficientes. Muitos dos presidentes da região pedem o fim do embargo dos EUA ao país, vigente desde 1962.

 

Cuba não estará presente na cúpula, mas deu uma resposta às novidades vindas de Washington. Raúl Castro ofereceu-se para conversar com o governo Obama sobre todos os temas em que há divergência. "Mandamos dizer ao governo norte-americano em privado e em público que estamos dispostos a discutir tudo: direitos humanos, liberdade de imprensa, presos políticos", afirmou Raúl, na Venezuela. No passado, as autoridades cubanas insistiam que a política nacional era um assunto interno.

 

A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, elogiou a "abertura" mostrada por Raúl. Nesta sexta-feira, o Departamento qualificou as declarações como um "gesto positivo". "Parabenizamos por esta abertura. Estamos examinando-a com muita atenção", afirmou Hillary durante entrevista coletiva.

 

Estima-se que haja em Cuba cerca de 200 presos políticos, que o regime qualifica como mercenários a serviço dos EUA. O governo também limita fortemente a liberdade de expressão, restringe as viagens de seus cidadãos ao exterior e não realiza eleições multipartidárias. Raúl tomou algumas medidas para liberalizar a economia desde que substituiu formalmente em fevereiro de 2008 o seu irmão Fidel, que passou quase cinco décadas à frente do país.

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