Secretário-geral da OEA quer ações contra crise alimentícia

Para Insulza, solução está no aumento da produção e na ampliação do livre-comércio de produtos agrícolas

Efe,

02 de junho de 2008 | 02h38

O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, expressou neste domingo, 1, seu desejo de que a Assembléia Geral analise a grave crise alimentícia e sejam dados os primeiros passos para adotar um enfoque regional para solucioná-la. Veja tambémUribe pede que se trate guerrilha como terrorista Na inauguração da 38ª Assembléia Geral da OEA, Insulza afirmou que "a solução principal" da crise alimentícia está no aumento da produção e na ampliação do livre-comércio de produtos agrícolas. De acordo com Insulza o preço dos alimentos, que praticamente duplicou nos últimos três anos, está "condenando a se manterem ou voltar para a pobreza muitos milhões de seres humanos". O titular da OEA explicou que os efeitos desse fenômeno já estão sendo sentidos em alguns países da região, especialmente nos mais pobres, que já tiveram que enfrentar também os golpes da alta desmedida do petróleo em suas economias. "Em nossa região mais de 50 milhões de pessoas ainda não têm acesso a uma alimentação adequada. A desnutrição infantil, com suas negativas seqüelas biológicas, sociais e econômicas, afeta hoje mais de nove milhões de crianças", ressaltou Insulza, acrescentando que as conquistas contra a pobreza e a indigência correm perigo por causa da carestia. Lembrou que a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) advertiu que um aumento de 5% no preço dos alimentos eleva a incidência da indigência em quase um ponto. "A alta é muito maior que isso e significa que cerca de 10 milhões de pessoas estariam em risco de cair na pobreza e um número similar de pobres poderia engrossar as fileiras da indigência", assegurou o secretário-geral. De acordo com Insulza, este problema pode gerar "conseqüências políticas imprevisíveis". "Devemos nos manter atentos a esta situação e disponíveis para correr em ajuda dos mais atingidos, superando os efeitos desta crise no prazo mais breve possível", disse perante um auditório repleto de políticos e diplomatas da comunidade internacional. Insulza acrescentou que os países-membros da OEA também devem olhar com uma visão de futuro para as possibilidades que esta crise representa para o desenvolvimento da região. Isso é possível em um continente onde a produção de alimentos excede, segundo a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), em 30% a quantidade de proteínas e calorias necessárias para atender as necessidades energéticas de sua população, destacou. "O problema não é, em conseqüência, a falta de alimentos, mas o acesso que as pessoas têm a eles e isso é matéria de políticas públicas", disse aos Governos da região. Insulza destacou que em nível global América Latina e o Caribe são as regiões que menos alimentos importam, e alguns de seus países são potências mundiais na produção e exportação de cereais, grãos, frutas e carnes. "Além de fatores conjunturais, climáticos e protecionistas, que sem dúvida têm um grande efeito na crise atual, é um fato que a demanda de alimentos continuará crescendo nos próximos anos, impulsionada pelo crescimento econômico sustentado de alguns dos maiores países", concluiu para ressaltar as oportunidades que a crise alimentícia representa para a região.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.