Sede da ONU desaba causando pior golpe de sua história

Quase 200 pessoas estavam no local durante o desastre; 330 funcionários estão desaparecidos

João Paulo Charleaux,

16 de janeiro de 2010 | 10h43

O desabamento da sede da Missão para a Estabilização da ONU no Haiti (Minustah) em Porto Príncipe, na terça-feira, representa o mais duro golpe já sofridos pela organização desde sua criação, há 64 anos.

Quase 200 pessoas estavam reunidas no local no momento do desastre. Pelo menos 330 funcionários estão desaparecidos e 36 corpos já foram encontrados. A principal autoridade da ONU no país, o tunisiano Hedi Annabi, está entre os mortos, além de seu vice, o brasileiro Luiz Carlos da Costa.

 

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Junto com o prédio da Minustah, ruiu parte da cúpula da organização no Haiti. O comandante das forças de paz, o general brasileiro Floriano Peixoto, só escapou porque estava em Nova York no momento do terremoto. O militar chileno Ricardo Toro assumiu temporariamente a função e teve de coordenar as buscas aos desaparecidos, entre os quais está sua própria mulher, María Tereza Dowling.

"Não temos a menor dúvida de que este é o pior golpe sofrido pela ONU em todos os tempos", disse o italiano Giancarlo Summa, diretor do Centro de Informações das Nações Unidas no Brasil. "São mais de 30 mortos e, à medida que o tempo passa, faz crescer nossa preocupação com os desaparecidos. As chances de sobrevivência vão diminuindo a cada minuto."

A ONU teve, em todo o ano de 2009, 28 funcionários mortos em lugares como Afeganistão, Paquistão e países da África. Com o desastre de terça-feira no Haiti, este número foi superado já no primeiro mês de 2010.

"Este não é um recorde que nós quiséssemos superar, acredite", disse ao Estado o porta-voz da organização em Washington, David Smith. "Trata-se de uma perda devastadora. O que ainda nos consola é a esperança de encontrar os amigos e colegas que ainda são dados como desaparecidos."

Antes da catástrofe no Haiti, a ONU havia perdido 23 funcionários num atentado contra o escritório da organização em Bagdá, em agosto de 2003. Quatro anos depois, 17 colaboradores das Nações Unidas morreram na Argélia.

Superação

A destruição da sede da organização em Porto Príncipe e a perda de dois de seus principais chefes tornou ainda mais difícil coordenar os trabalhos de busca e de distribuição de ajuda humanitária aos haitianos em meio aos destroços e ao caos em Porto Príncipe.

"Trabalho há seis anos para na ONU e aprendi que este é um grupo de pessoas extraordinárias, profissionais de grande experiência. Nunca subestime a capacidade destas pessoas superarem seus próprios problemas para seguir adiante com seu trabalho", disse Smith.

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