Seguidores de Morales tentam impedir referendo de Santa Cruz

Movimentos sociais dizem ter armas para defender o presidente

Efe

08 de abril de 2008 | 21h07

Os movimentos sociais bolivianos leais ao presidente boliviano, Evo Morales, se reunirão no sábado na cidade de Santa Cruz (leste) para definir medidas contra o referendo autônomo dessa região, anunciaram hoje no Congresso vários líderes sociais. A reunião das organizações será realizada em Plan Tres Mil, na periferia de Santa Cruz, e seus organizadores planejam coordenar movimentos para impedir a consulta autonomista convocada para 4 de maio. O dirigente do grupo radical aimara Ponchos Rojos e prefeito da localidade andina de Achacachi, Eugenio Rojas, disse nesta terça-feira, 8, à Agência Efe que a reunião analisará quais medidas podem ser tomadas para que não seja realizado o referendo organizado pelos opositores de Santa Cruz, a região mais rica e povoada do país. Segundo Rojas, cujos seguidores afirmam ter armas para defender o presidente, a atual crise boliviana é reflexo do confronto das "famílias endinheiradas" com a "maioria pobre" do país. Na Bolívia concorrem dois processos paralelos que, por enquanto, parecem irreconciliáveis: a promulgação de uma nova constituição proposta pelo esquerdista Morales e o projeto de várias regiões opositoras que buscam autonomia. Os bispos da Igreja Católica afirmaram hoje, em comunicado, que o conflito está "piorando perigosamente" e pode "desembocar em choques com conseqüências imprevisíveis de dor e morte". Desde o mês passado, a Igreja tenta abrir uma mesa de diálogo entre Morales e a oposição, que se reuniram recentemente com enviados dos Governos de Brasil, Argentina e Colômbia com o mesmo propósito. O presidente do Senado, o opositor Óscar Ortiz, insistiu hoje em denunciar que o Governo está formando "grupos de choque" que, em sua opinião, irão até Santa Cruz "confrontar" para "justificar a intervenção militar" contra a consulta por autonomia. No entanto, na segunda-feira, 6,  Morales descartou que pense em militarizar ou decretar um estado de sítio para impedir esse referendo, que será realizado nas cidades de Beni e Pando no dia 1º de junho e em Tarija no dia 22 do mesmo mês.

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