Seguidores de Zelaya desafiam polícia e voltam a protestar

Ignorando alertas, 3 mil marcharam rumo ao Congresso hondurenho; ato contou com esposa de líder deposto

Efe,

31 de julho de 2009 | 19h29

 

TEGUCIGALPA - Aproximadamente 3 mil seguidores do presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, desafiaram nesta sexta-feira, 31, a advertência do governo de facto de que a polícia não permitirá abusos e voltaram a protestar nas ruas de Tegucigalpa, após os violentos distúrbios registrados na quinta. A manifestação percorreu uma importante avenida da capital rumo à sede do Congresso e contou com a participação da esposa de Zelaya, Xiomara Castro de Zelaya, que pediu ao movimento opositor ao golpe que depôs seu marido no dia 28 de junho que mantenha os protestos.

 

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"A cada dia que há repressão, a cada dia que uma mulher é denegrida, mais fortaleza sentimos para seguir com as manifestações", afirmou Xiomara, que, no entanto, pediu aos manifestantes que não radicalizem: "Hoje mais que nunca precisamos de calma, paciência, hoje mais que nunca precisamos atuar em paz". O dirigente camponês Rafael Alegría, um dos líderes da Frente de Resistência Contra o Golpe, assegurou que "há muito mais força, muito mais ânimo e mais cólera pela repressão a manifestações completamente pacíficas."

 

Alegría disse que houve dois bloqueios de estradas em diferentes pontos do país, um dos quais, na cidade ocidental de Santa Rosa de Copán, foi desmontado pouco depois pela Polícia Nacional, em uma ação da qual ainda não se sabe se houve feridos ou detidos. Outro coordenador do movimento opositor ao governo de facto, Juan Barahona, reconheceu que a greve dos professores e de trabalhadores do Estado em Tegucigalpa tinham sido suspensas, pelas advertências das autoridades.

 

"O povo não pode esperar que 20, 30 ou 100 pessoas obstaculizem a economia de nosso país e a passagem de veículos, vamos colocar ordem", disse na quinta à noite o presidente de facto, Roberto Micheletti, que foi nomeado pelo Congresso, depois que Zelaya foi expulso do país pelos militares. A mudança de atitude do Executivo interino, que até esta semana tinha permitido o bloqueio de estradas, concretizou-se ontem quando a polícia e o Exército desmontaram um deles em uma saída de Tegucigalpa e outro na cidade de Comayagua, no centro do país.

 

Estas ações, segundo as autoridades, deixaram várias manifestantes feridos e 88 detidos, assim como um número indeterminado de soldados com ferimentos, um deles com feridas de bala. Mas a Frente de Resistência contra o Golpe anunciou 72 manifestantes feridos, entre eles o candidato presidencial independente Carlos H. Reyes, e uma centena de detidos.

 

O professor Roger Abraham Vallejo ficou gravemente ferido por um disparo na cabeça realizado por um policial, segundo a Agência Efe, e, após ser operado na quinta, entrou em coma, informou o dirigente Sergio Rivera, que esteve no hospital acompanhando Vallejo. Rivera denunciou, além disso, que uma patrulha do Exército invadiu o hospital enquanto seu companheiro passava por uma cirurgia, ameaçou 20 professores que estava lá e alguns soldados "entraram na sala de operações."

 

O coronel Ramiro Archaga, porta-voz das Forças Armadas, cujas unidades participaram dos desalojamentos, assegurou que "nas manifestações não houve uso de armas de fogo". Archaga acusou inclusive os manifestantes de atirarem pedras nos soldados. "Em Comayagua, nós temos alguns soldados feridos e inclusive um soldado ferido por uma bala, que foi precisamente disparada do lado onde estavam os manifestantes", disse o militar à Rádio América.

 

Durante a manifestação desta sexta, a esposa de Zelaya culpou o chefe das Forças Armadas, Romeo Vásquez, pela repressão. "Parece que o título de general é grande demais para Romeo Vásquez Velásquez", afirmou Xiomara, enquanto os manifestantes gritavam "assassinos, assassinos" para os militares.

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