Segundo homem das Farc morre em bombardeio colombiano no Equador

Raúl Reyes, um dos sete líderes maisimportantes da guerrilha Farc, morreu neste sábado com outros16 rebeldes no Equador, durante bombardeio das Forças Militaresda Colômbia em uma região de selva na fronteira com a Colômbia,informou o governo colombiano. Reyes, que fazia parte do secretariado do movimento deesquerda Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), eraconsiderado o segundo homem mais importante do grupo rebelde,formado por cerca de 17.000 combatentes e, nos últimos anos,havia se tornado o líder com maior visibilidade. A morte do chefe guerrilheiro é a vitória mais importanteda política de segurança do presidente Álvaro Uribe, que, com oapoio dos Estados Unidos, mantém desde que assumiu o poder, em2002, uma ofensiva contra as Farc que obrigou os rebeldes aefetuarem um recuo estratégico. "Quero comunicar ao país, que em uma operação conjunta dasForças Militares e da Polícia Nacional, foi morto Raúl Reyes,membro do secretariado das Farc", disse o ministro de Defesa daColômbia, Juan Manuel Santos. "Esse é o golpe mais contundente contra esse grupoterrorista até o momento", acrescentou, em entrevistacoletiva. A operação militar que matou Reyes, em que também morreu umsoldado, ocorreu na região de Santa Rosa, no territórioequatoriano, próximo ao departamento colombiano de Putumayo,segundo o ministro. Santos disse que as Forças Militares Colombianas foramatacadas do território equatoriano e, sem violação do espaçoaéreo do país, foi realizado um bombardeio que matou Reyes e otambém dirigente rebelde Julián Conrado. O ministro revelou que Uribe falou por telefone com opresidente do Equador, Rafael Correa, para informá-lo da mortede Reyes e da entrada no país para a recuperação do corpo dochefe rebelde. O governo colombiano vem afirmando nos últimos anos queimportantes chefes das Farc se refugiam em países vizinhos,como o Equador. "É preciso esclarecer um pouco o incidente...Aparentemente, as Farc, de acordo com a versão preliminar dopresidente (Alvaro) Uribe, entraram no território equatoriano,e o tiroteio ocorreu na linha da fronteira", declarou Correa,no Equador. "Vamos mandar um contingente equatoriano para nos informarde maneira mais precisa. Ratificamos nossa solidariedade aopovo colombiano", afirmou o presidente. TRÊS DÉCADAS DE GUERRILHA Reyes, cujo verdadeiro nome era Luis Edgar Devia, foi umantigo dirigente sindical que se vinculou à guerrilha há cercade três décadas. O governo colombiano oferecia uma recompensade 2,7 milhões de dólares por informações que permitissem suacaptura ou morte. "É uma meta que conquistamos, mas não podemos nos afastardo caminho que é a derrota do terrorismo e a busca da paz",disse à Reuters uma alta fonte do governo. No último ano, as Forças Militares da Colômbia mataramquatro importantes dirigentes rebeldes das Farc, entre elesMartín Caballero, Tomás Medina Caracas e Jota Jota. As Farc são o grupo rebelde guerrilheiro ativo mais antigodo hemisfério, e afirmam lutar para impor um sistema socialistano país de mais de 42 milhões de habitantes, onde há grandedesigualdade social. A morte do comandante rebelde aconteceu três dias depois deo grupo entregar, à uma missão humanitária liderada pelaVenezuela, quatro ex-congressistas que haviam sido sequestradoshá mais de seis anos. O presidente da França, Nicolas Sarkozy, que pressiona paraum acordo pela liberação da ex-candidata à Presidência IngridBetancourt e outros reféns em poder das Farc, pediu às duaspartes para manterem os esforços neste sentido. As Farc são consideradas como uma organização terroristapelos Estados Unidos e União Européia, e o governo da Colômbiaas acusa de obter financiamento do narcotráfico para seuExército rebelde, em combate há mais de quatro décadas. Analistas políticos e militares consideram este o principalgolpe contra a guerrilha em toda a história de luta naColômbia. Segundo ele, a morte do líder pode provocarmodificações nas Farc para uma negociação com o governo. "Pode gerar uma recomposição no secretariado em favor deposições mais pragmáticas e mais flexíveis em temas como atroca humanitária e negociações de paz com o governo, dado queReyes sempre liderou uma posição mais dura e mais intransigentenesses assuntos", disse o analista Alfredo Rangel. (Reportagem adicional de Carlos Andrade, em Quito)

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