Seis meses após terremoto, Chile ainda não supera sequelas

Seis meses depois do terremoto e dos tsunamis que causaram devastação no centro e sul do Chile, a economia está recuperada, mas resta uma grande dívida social para com milhares de pessoas que perderam tudo, e ainda esperam uma casa para morar.

REUTERS

27 de agosto de 2010 | 19h14

O tremor de magnitude 8,8 em 27 de fevereiro, um dos mais poderosos da história moderna, foi seguido por gigantescas ondas e centenas de réplicas que ainda são sentidas. O cataclismo deixou 521 mortos e 56 desaparecidos.

Os prejuízos se aproximaram de 30 bilhões de dólares, equivalente a 17 por cento do PIB chileno. Milhares de casas, hospitais, escolas e pontes vieram abaixo, e o setor industrial ficou em péssimo estado.

Apesar de uma contração da economia em março, nos meses seguintes a atividade retomou uma expansão vigorosa, com a gradual recuperação dos diferentes setores e uma sólida demanda interna.

A reconstrução tem marcado o mandato do presidente Sebastián Piñera, que assumiu o cargo em 11 de março. "Essa etapa vai levar tempo, vai durar mais do que dias, mais do que semanas, mais do que meses, provavelmente comprometa os quatro anos do nosso governo", disse Piñera em Concepción, uma das cidades mais afetadas, ao fazer um balanço do desastre.

"Este ano de 2010 é um ano muito especial, um ano histórico (...). Um ano trágico, fomos golpeados por esse tremendo e terrível terremoto, e também golpeados pela adversidade que afetou 33 mineiros que continuam presos nas profundezas da mina San José (norte)", disse ele.

SEM-TETO

No outro lado da cidade, na principal praça de Concepción, centenas de pessoas fizeram um protesto pelo lento avanço nas obras de reconstrução.

"No bicentenário (da independência, em setembro) não há nada a celebrar", dizia uma faixa.

Abel Torres, que vivia num prédio que desmoronou em Concepción, matando oito pessoas, disse que ainda não tem lugar para morar, e que se sente em absoluto "abandono".

Há poucos dias, cerca de 200 moradores da localidade litorânea de Dichato entraram em choque com a polícia num protesto pela indefinição quanto ao lugar onde serão reassentadas. Essas pessoas atualmente vivem na casa de parentes, em acampamentos ou nos morros. "Precisamos de um plano de reconstrução agora, não é 90 dias", disse o comerciante local Jorge Saavedra.

Para financiar a reconstrução, o governo aproveita recursos de impostos sobre o álcool e o tabaco, e contraiu dívidas no exterior.

Piñera disse na quinta-feira que insistirá na aplicação de novos royalties sobre a mineração, para captar cerca de 1 bilhão de dólares.

(Por Antonio de la Jara; Reportagem adicional de María José Latorre y Alvaro Tapia)

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