Sem dinheiro, Farc atacam petrolíferas e mineradoras-ministro

Os rebeldes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) intensificaram a extorsão e os ataques contra indústrias petrolíferas e de mineração para financiar sua guerra num momento em que a mudança no modo de cobrança de royalties desses setores afeta os rendimentos do grupo, disse o ministro da Energia, Mauricio Cárdenas, nesta segunda-feira.

Reuters

09 de julho de 2012 | 19h44

Mais de uma década de ofensiva das tropas da Colômbia, apoiadas pelos Estados Unidos, afetou fortemente a arrecadação de fundos por parte das Farc, levando o grupo a penetrar mais fundo na floresta inóspita e dificultando a obtenção de dinheiro por meio do narcotráfico.

Agora, as Farc deixaram de atacar as indústrias petrolíferas e da mineração para obter ganhos na maioria políticos e, em vez disso, se voltaram para as instalações de corporações, para semear o medo e ganhar dinheiro por meio da extorsão, explicou Cárdenas à rádio colombiana Caracol.

Ele afirmou que o governo iria continuar a garantir a segurança do setor de petróleo e mineração, que no ano passado atraiu o grosso dos mais de 13 bilhões de dólares em investimento estrangeiro direto na Colômbia.

A reforma na cobrança de royalties - uma emenda constitucional aprovada no ano passado - tem como objetivo distribuir mais igualitariamente aos governos regionais os bilhões de dólares originários do petróleo e mineração, evitando assim que autoridades corruptas remetam dinheiro para insurgentes ou grupos criminosos.

"As guerrilhas estão agora numa situação muito difícil. Estão ficando sem fontes de financiamento e não podem mais manter laços com os narcotraficantes. Por isso, elas querem retomar a prática de extorsão de companhias petrolíferas", afirmou Cárdenas.

As Farc, o mais antigo grupo rebelde latino-americano, dobrou os ataques contra petrolíferas e mineradoras nos últimos dois anos, e lançaram mais de 40 ataques com bombas em 2012.

Na semana passada as Farc mataram cinco pessoas que trabalhavam para a estatal Ecopetrol na província de Putumayo, no sul do país.

Cárdenas fez um apelo às empresas para que rejeitem as exigências de extorsão e reiterou a posição do governo de que "qualquer empresa estrangeira envolvida nessa prática será expulsa do país".

A Colômbia é o quarto maior produtor de petróleo da América Latina e o quarto maior exportador mundial de carvão.

(Reportagem de Katherine McKeon e Nelson Bocanegra)

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