Sem reféns das Farc, negociadores e parentes lamentam

Segundo assessor do presidente Lula que viajou à Colômbia, não há prazo para possível retomada das conversas

01 de janeiro de 2008 | 23h33

Após quase uma semana de expectativa, o clima de frustração tomou conta de todos os envolvidos na operação para resgatar três reféns das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), organizada pelo presidente venezuelano, Hugo Chávez, e suspensa pelas Farc na segunda-feira, 31. "Acreditávamos que iríamos festejar o início do ano na Colômbia com o resto de toda nossa família", lamentou, em Caracas, Ivan Rojas, irmão de Clara Rojas, uma das reféns que seria solta. "Ainda assim, quero ressaltar que a operação foi apenas suspensa temporariamente, não abortada, e só sairemos de Caracas quando estivermos com nossos parentes."  O assessor internacional da Presidência brasileira, Marco Aurélio Garcia, que integrava a comissão internacional organizada para avalizar a operação de resgate, também admitiu que estava decepcionado. "Todos perderam um pouco", disse antes de embarcar para Brasília. "Ao menos colocamos o tema das negociações humanitárias na ordem do dia." Ao chegar na base aérea de Brasília, Garcia disse que ainda não há nenhum prazo previsto para uma possível retomada das conversas nem do cenário político que prevalecerá nesse momento. Mesmo assim, esquivou-se de qualificar o resultado da operação como um fracasso.  Por causa da tentativa de resgate, os membros do Comitê Internacional da Cruz Vermelha, representantes de sete países e parentes dos reféns tiveram de passar o dia 31 em Caracas ou em Villavicencio, vilarejo colombiano escolhido para a base das operações. Para eles, não havia motivos para festejar.  Jogo de empurra Nos últimos dias, o presidente venezuelano transformou a operação em um verdadeiro show. Explicou à exaustão para mais de 150 jornalistas como os helicópteros da Venezuela resgatariam os reféns na selva colombiana, mobilizou os governos dos países vizinhos e permitiu que o cineasta americano Oliver Stone filmasse o resgate. Na segunda, porém, o otimismo deu lugar a um jogo de empurra com o presidente colombiano, Álvaro Uribe, sobre a responsabilidade do fracasso, que ameaçava ainda mais a já combalida relação entre os dois países.  Segundo o grupo, além de Clara, assessora da ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt, seqüestrada em 2002, também seriam libertados a deputada Consuelo González de Perdomo e Emmanuel, filho de 3 anos de Clara nascido no cativeiro. Anteontem, as Farc anunciaram que não entregariam os reféns por causa de supostas ações militares das tropas colombianas na região.  A acusação foi rebatida por Uribe com uma revelação que deu ao drama dos reféns um ar de telenovela. Segundo o presidente colombiano, as Farc não cumpriram com seu compromisso porque Emmanuel não está mais com eles. O filho de Clara com um guerrilheiro teria sido entregue para um orfanato na cidade de San José de Guaviare em julho de 2005 e hoje estaria em Bogotá. O nome dado ao menino no orfanato seria Juan David Gómez Tapiero. Emmanuel estaria doente, desnutrido, com sinais de tortura e teria um braço quebrado. Um grupo de especialistas colombianos chegou ontem à Venezuela para coletar amostras de DNA de parentes de Clara.  Segundo Chávez, o governo colombiano "mente" para "abortar a operação" e os preparativos para o resgate dos reféns devem continuar "de outra maneira". Na semana passada, o líder venezuelano disse que uma segunda opção seria uma "estratégia clandestina". Uribe, por sua vez, disse que criará uma área livre de ações militares para que as Farc possam entregar os reféns.  Colaborou Denise Chrispim Marin

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