Sem-terra ameaçam queimar fazenda de brasileiro no Paraguai

Tensão aumenta com detenção de agentes fiscais por camponeses; brasiguaio pede 'justiça' às autoridades

Efe,

30 de outubro de 2008 | 18h17

A tensão nas regiões agrícolas do Paraguai aumentou nesta quinta-feira, 30, com a detenção de agentes fiscais por parte de trabalhadores rurais, que, além disso, ameaçaram queimar a fazenda de um dos principais produtores brasileiros do país. O empresário catarinense Tranquilo Fávero, um dos principais produtores agrícolas do Paraguai, pediu "justiça" às autoridades e disse que o sítio o qual os camponeses ameaçam queimar está cheio de trigo, milho e outros grãos, com um investimento de US$ 5 milhões. Veja também:Lugo assegura que Paraguai garantirá segurança dos brasiguaiosInvasão de fazendas não tem motivação xenófoba, diz LugoPara Itamaraty, Lugo pode fazer pouco para brasiguaios "Quero justiça, estou no Paraguai há 40 anos. Acho que estou fazendo algo de bom", afirmou Fávero a emissoras de rádio, ao criticar os sem-terra, os quais consideram criminosos todos os brasiguaios. Os camponeses argumentam que, no passado, grandes extensões de terra foram cedidas ou arrendadas a pessoas não submissas à reforma agrária, entre elas brasileiros, e que, além disso, as plantações mecanizadas, como a da soja, destroem as florestas e poluem o meio ambiente. A fazenda ameaçada de Fávero fica no distrito de Capiibary, cerca de 350 quilômetros ao nordeste de Assunção, e os sem-terra tentam impedir o início da semeadura de soja da colheita 2007-2008. Outro grupo de camponeses reteve nesta quinta três agentes fiscais, dois policiais e o motorista de uma comitiva que tentou intervir em um conflito entre camponeses e colonos brasileiros em Yasy Cañy, perto de Capiibary. Os fiscais e os agentes foram libertados duas horas depois e a Promotoria de Curuguaty, à qual pertencem os afetados, informou que espera a chegada de reforço policial para iniciar a busca e captura dos responsáveis. O Ministro do Interior, Rafael Filizzola, anunciou, por sua vez, que viajará nas próximas horas à região após uma reunião imprevista que manteve com José Ledesma, o governador do departamento de San Pedro, centro do país e a área mais conflituosa. "Vim pedir ao ministro que se apresente, para que escute as pessoas e para que veja o que esta gente está fazendo. É importante que ele esteja na zona", afirmou Ledesma. O governador apóia as reivindicações camponesas e afirmou que muitos fazendeiros brasileiros não respeitam as leis ambientais e cultivam soja "até na estrada". Por outro lado, funcionários da Secretaria do Ambiente anunciaram hoje a detecção de supostas violações das leis ambientais na fazenda El Progreso, na zona de Capiibary, controlada pelos brasileiros Aldo Haverrot e Valdir Neukamp. Ambos foram denunciados por dirigentes da Organização de Luta pela Terra.

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