Sem-terra paraguaios dão 72 horas para expulsar brasileiros

Camponeses exigem que brasiguaios produtores de soja deixem o país; vice-presidente cobra solução urgente

Agência Estado e Associated Press,

21 de outubro de 2008 | 14h35

Camponeses sem-terra deram um prazo de 72 horas para que o governo expulse os fazendeiros brasileiros de terras que seriam destinadas à reforma agrária. Essas terras foram adquiridas pelos brasileiros para o cultivo da soja. O Paraguai é o terceiro produtor da oleaginosa na América do Sul e o sexto do mundo.   Em General Resquín, departamento (Estado) de San Pedro, 340 quilômetros ao norte da capital, cerca de 100 sem-terra invadiram nesta terça-feira uma área de 1.500 hectares, impedindo a colheita de milho. "Já não queremos esperar, estamos cansados de reuniões e mais reuniões que não resolvem nada", disse a jornalistas o dirigente campesino Anselmo Villagra.   O grupo liderado por Villagra invadiu a propriedade do empresário importador de automóveis e campeão paraguaio de corrida de automóveis Francisco Gorostiaga. Os sem-terra afirmam que a propriedade foi presente do ex-ditador Alfredo Stroessner (1954-1989) à mulher de Gorostiaga, que transferiu a área para o nome do marido. Aparentemente, o empresário alugou a propriedade para brasileiros.   Também nesta terça-feira, o vice-presidente Federico Franco afirmou que a solução para a crise agrária no país virá "antes que ocorra algo pior". "O ministro de Interior foi autorizado a evitar enfrentamentos entre campesinos e proprietários de estabelecimentos de soja", completou Franco.   O líder do grupo esquerdista Productores de San Pedro-norte, Elvio Benítez, afirmou na noite da segunda-feira que "o presidente Lugo não deve temer o Brasil, porque a terra é dos paraguaios". Segundo Benítez, algumas organizações deram como prazo até a noite de quinta-feira para que o governo "comece a recuperar a soberania paraguaia".   "No departamento de San Pedro temos em vista umas 15 fazendas produtoras de soja, em poder de brasileiros, que vamos ocupar e resistir até o final se o governo não desalojar os usurpadores", afirmou Benítez. O governador de San Pedro, José Ledesma, afirmou que apóia as demandas dos sem-terra. "As reivindicações são justas", avaliou.   O diretor do estatal Instituto de Desenvolvimento Rural e da Terra (Indert), Alberto Alderete, afirmou que "os brasileiros que realizaram a titulação de suas terras antes de 29 de dezembro de 2004 não serão desalojados". Juan Néstor Núñez, presidente da patronal Associação Rural, disse que o país está "à beira de enfrentamentos armados". "As autoridades devem desarmar os campesinos", pediu. Nuñez afirmou que há 20 fazendas de soja no Alto Paraná que não conseguem realizar a colheita. "Nenhuma autoridade nacional intervém."

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