Arquivo AE
Arquivo AE

Senado colombiano aprova referendo sobre reeleição de Uribe

Se medida for aprovada e o presidente colombiano for reeleito, ele poderá ficar, ao todo, 12 anos no poder

20 de agosto de 2009 | 01h24

O Senado colombiano - de maioria governista - aprovou na quarta-feira, 19, à noite, por 56 votos a favor, a realização de um referendo para perguntar aos eleitores se aprovam uma mudança na Constituição para permitir ao presidente Álvaro Uribe candidatar-se a um terceiro mandato. O esquerdista Polo Democrático e o também opositor Partido Liberal rejeitaram votar.

 

Agora, o projeto de lei seguirá na semana que vem para a Câmara dos Deputados e, se aprovado, dependerá apenas da autorização da Corte Constitucional de Justiça da Colômbia. Sendo aprovada nas três instâncias, a nova lei poderá valer já nas eleições de maio de 2010, abrindo caminho para que Uribe concorra a um terceiro mandato. A fixação das datas da consulta deverá ser feita pela Justiça Eleitoral.

 

O presidente colombiano está há sete anos no poder. Ele foi eleito em 2003 para um mandato de quatro anos. Uribe reformou a Constituição para permitir que ele mesmo concorresse à reeleição e iniciou seu segundo mandato em 2007.

 

Se a lei for aprovada e Uribe vencer as eleições, ele poderá ficar, ao todo, 12 anos no poder. O único caso semelhante ao de Uribe na América Latina é o do presidente venezuelano, Hugo Chávez, que está há dez anos na presidência, exercendo seu terceiro mandato seguido. Mas, no caso da Venezuela, o direito de o presidente concorrer a reeleições consecutivas é ilimitado.

 

Há meses, Uribe faz mistério sobre seu interesse em governar por mais um turno. Até o momento, ele diz apenas que deseja a "reeleição" de suas políticas, como a chamada "segurança democrática".

 

Horas antes do início dos debates na Câmara, o ex-ministro da Defesa da Colômbia, Juan Manuel Santos, reuniu-se com Uribe na capital Bogotá e anunciou, mais uma vez, sua intenção de candidatar-se à presidência.

 

"Eu disse ao presidente, uma vez mais, que se houver referendo, houver reeleição e ele quiser se candidatar, conta com meu total e absoluto apoio. No momento em que ele, por algum motivo, decidir não se apresentar, então, eu serei candidato a suceder-lhe", disse Santos.

 

O ex-ministro também se ofereceu para colaborar na articulação política para aprovar no Congresso o referendo que possibilitará uma nova reeleição para Uribe.

 

Santos foi o principal mentor da política de segurança democrática que se tornou o carro chefe do governo Uribe, cujo principal aspecto trata do combate às guerrilhas colombianas por meio da ação militar, não negociada.

A tramitação do projeto, que se arrasta há meses, foi marcada por polêmicas, como supostas irregularidades na arrecadação dos fundos para a promoção da iniciativa e depoimentos de chefes dos cartéis do narcotráfico que dizem ter apoiado a reeleição do presidente.

"Muito obrigada em nome de todos aqueles colombianos que acreditam que a política de segurança democrática devolveu a esperança ao país", afirmou o ministro de Interior Fábio Valencia, ao final da votação.

De acordo com a imprensa local, Valencia esteve no plenário negociando a votação com a bancada uribista.

Principal aliado dos Estados Unidos na região, Uribe está submerso em uma crise com os vizinhos da América do Sul que têm demonstrado preocupação com a decisão do governo colombiano de negociar um acordo militar que pode permitir ao governo dos Estados Unidos a utilização de sete bases militares em território colombiano.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.