Senado da Argentina veta projeto de impostos sobre grãos

Número dois do governo de Cristina Kirchner acaba com lei que previa aumento às exportações agrícolas

Ariel Palacios, de O Estado de S. Paulo,

17 de julho de 2008 | 05h32

A presidente da Argentina,Cristina Kirchner, e seu marido, o ex-presidente Néstor Kirchner, sofreram na madrugada desta quinta-feira, 17, uma derrota sem precedentes ao perder a votação no Senado do projeto de lei do governo que determinava o aumento dos impostos sobre as exportações agrícolas argentinas.   Veja também: Vice argentino veta lei, mas pretende ficar no cargo Para base governista, veto de vice é incompreensível   Após 16 horas de debates, a votação do projeto do governo acabou em empate. O voto de Minerva coube ao vice-presidente Julio Cobos, que também é presidente do Senado. Contrário ao projeto, Cobos chegou a cogitar votar com o governo para evitar o agravamento da tensão política. Mas acabou votando contra.   Antes de declarar seu voto, suspirou: "este é o dia mais difícil de minha vida". Depois, fez um longo discurso no qual lamentou a profunda divisão política que assola a sociedade argentina, que ficou altamente polarizada nos últimos meses. "Parece que é difícil que nos coloquemos de acordo", sustentou.   Cobos, visivelmente nervoso, implorou aos senadores que realizassem um recesso para "encontrar um consenso". As lideranças kirchneristas, no entanto, recusaram-se a aceitar maiores demoras. Cobos é o representante dos "Radicais-K", como são denominados os integrantes do setor dissidente da União Cívica Radical (UCR) que há dois anos decidiram aliar-se aos Kirchners.   Durante a madrugada, a reta final da sessão do Senado foi acompanhada por panelaços em Buenos Aires e nas principais cidades do interior em protesto contra Cristina. Os Kirchners apostaram seu prestígio político nesta votação e perderam. Os analistas indicam que Cristina - que ainda tem quase três anos e meio de governo - ficará altamente debilitada. Diversas especulações indicam que ocorreriam eventuais mudanças no gabinete de ministros nos próximos dias.   Setores rebeldes do Peronismo - entre eles o ex-presidente Eduardo Duhalde e o ex-governador de Córdoba José Manuel de la Sota - fortalecem-se com a derrota do casal presidencial. Além disso, os ruralistas despontam como um novo poder político na Argentina.   Os ruralistas protagonizaram durante os últimos 128 dias um intenso conflito com o governo Cristina. Ao longo de quatro meses realizaram quatro locautes, que incluiu marchas de protesto e piquetes nas estradas.   Matéria atualizada às 7h25.

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