Senador chileno propõe plebiscito para dar à Bolívia saída ao Oceano Pacífico

País perdeu seu acesso ao mar durane a Guerra do Pacífico contra o Chile

Efe

23 de outubro de 2010 | 19h18

SANTIAGO DO CHILE - Políticos chilenos divergiram neste sábado, 23, sobre a proposta do senador governista Pablo Longueira de entregar à Bolívia uma saída soberana ao Oceano Pacífico, ideia que seria submetida a um plebiscito.

 

"Definir este tipo de situações por plebiscito me parece um caminho extraordinariamente errado", afirmou o senador da União Democrata Independente (UDI) Hernán Larraín, o mesmo partido de Longueira, ao site da "Rádio Cooperativa"

 

De acordo com Larraín, presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, o plebiscito não está inserido na constituição chilena, "salvo para uma hipótese específica de conflito nas reformas constitucionais", disse.

 

Para Larraín, a proposta é uma opinião pessoal do parlamentar, que não tem maiores implicações para uma matéria que só compete ao Estado.

 

Pablo Longueira expôs a proposta de plebiscito nesta sexta-feira. "Um plebiscito para os chilenos no ano que vem sobre uma solução marítima à Bolívia, isso é o que fariam os países inteligentes", afirmou o senador durante um discurso proferido na sede da Fundação "Jaime Guzmán", em Santiago.

 

O presidente do Senado, o opositor democrata-cristão Jorge Pizarro, apoiou neste sábado a proposta de chamar um plebiscito no Chile para definir uma solução para o problema da Bolívia.

 

Pizarro, senador da região de Coquimbo, disse aos jornalistas que a ideia de Longueira poderia ajudar a adiantar uma possibilidade de acordo com a Bolívia e acrescentou que um acordo dessa natureza poderia significar uma redução nas despesas com Defesa e contribuiria para paz e a estabilidade na região.

 

Já o senador do governista Renovação Nacional, Andrés Allamand, que acompanha o presidente Sebastián Piñera na sua viagem pela Europa, criticou as declarações de Longueira.

 

"Eu não acho que seja este o momento para mudar o que é posição tradicional do Estado do Chile nesta matéria, ainda mais quando o presidente Alan García (Peru) está tentando 'embebedar a perdiz'", disse, em referência ao recente acordo assinado por Lima e La Paz para que utilize uma faixa em um porto peruano por 99 anos.

 

A Bolívia perdeu seu acesso ao Pacífico em uma guerra que, ao lado do Peru, empreendeu contra o Chile no século XIX, e desde então o assunto dificultou os vínculos entre La Paz e Santiago, que mantêm estremecidas suas relações diplomáticas desde 1962, com um breve intervalo entre 1975 e 1978.

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