Senadora chega ao Brasil nesta 6ª para iniciar resgate de reféns

Com o apoio do País, grupo se prepara para iniciar libertação de seis sequestrados das Farc a partir de domingo

Agências internacionais,

30 de janeiro de 2009 | 12h22

A senadora opositora Piedad Córdoba e vários delegados do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) chegam ao Brasil nesta sexta-feira, 30, para iniciar o processo de libertação de seis reféns das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Segundo a Rádio Caracol, o destino do grupo que acompanhará o resgate é a cidade de São Gabriel de Cachoeira, no nordeste do Estado do Amazonas.   Veja também: Por dentro das Farc  Histórico dos conflitos armados na região     Segundo o jornal El Tiempo, a ativista de direitos humanos Olga Amparo Sánchez e os jornalistas Jorge Enrique Botero e Daniel Samper acompanharão Piedad e os delegados da Cruz Vermelha na operação. A libertação dos sequestrados acontecerá em três operações e datas diferentes e, segundo foi anunciado por Córdoba, a primeira delas será já no próximo domingo - quatro militares. Na segunda-feira, deve ser entregue o ex-governador de Meta Alan Jara, e na quarta o ex-deputado do Valle Sigifredo López.   As Farc anunciaram em 21 de dezembro que libertariam seis reféns - dois políticos, três policiais e um militar - perante delegados do CICV e escolheram como coordenadora da operação Piedad Córdoba. Córdoba serviu de mediadora, no final de 2007, para outras libertações de reféns das Farc junto ao presidente da Venezuela, Hugo Chávez, a pedido do chefe de Estado colombiano, Álvaro Uribe.   O avião que leva o grupo responsável pelo resgate sairá da Colômbia até São Gabriel. Nas primeiras horas do sábado, serão levados por helicópteros brasileiros até San José del Guaviare, em território colombiano, onde abastecerão com combustível necessário e seguiram para Villavicencio. Na madrugada de domingo, seguirão ao ponto da selva determinado pela guerrilha para resgatar três policiais e um soldado. Em seguida, voltam para Villavicencio, de onde partem na segunda-feira os helicópteros para o resgate de Alan Jara . De lá, seguem para Bogotá e em seguida para Cali, onde está previsto para começar terça-feira o processo de soltura do ex-deputado Sigifredo López.   Envolvimento brasileiro   O Brasil enviará nesta sexta-feira para a Colômbia 16 militares do Exército em dois helicópteros Cougar para participar da operação de libertação de seis reféns das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Os helicópteros, cada um com capacidade para 25 pessoas, serão identificados com o emblema da Cruz Vermelha (CICV) e deverão operar completamente desarmados, com exceção dos tripulantes militares que conseguiram autorização para levar pistolas guardadas em coldres, com a justificativa de serem úteis para "sobrevivência na selva".   A equipe brasileira é composta por quatro pilotos, quatro mecânicos, dois técnicos em comunicação, quatro especialistas em manutenção, um coordenador aeronáutico e um técnico em oxigênio, que pode ser acionado caso o helicóptero tenha de voar acima de 10 mil pés - se for confirmado o resgate em região montanhosa. O helicóptero que será usado no resgate levará apenas cinco militares. A segunda aeronave será mantida com o restante do grupo em solo, como reserva, em um local ainda não divulgado.   Os brasileiros estão proibidos de levar máquinas fotográficas, mas é possível que o governo colombiano consiga embarcar um cinegrafista, apesar da resistência do CICV. Os pilotos brasileiros só receberão as coordenadas do voo minutos antes da decolagem.   A escolha do Brasil foi um jogo de cartas marcadas. Panamá e Costa Rica também foram sondados, mas já se sabia de antemão que não dispunham das mesmas condições operacionais. A discrição e a cautela mostradas pelo governo até aqui têm sido os principais trunfos brasileiros, em contraste com a propaganda feita pelo presidente venezuelano, Hugo Chávez, durante a libertação das reféns Clara Rojas e Consuelo Gonzáles, em janeiro do ano passado.   Na época, Chávez recebeu as duas ex-reféns em Caracas em frente das câmeras de TV do mundo todo e, em seguida, pediu que a Colômbia reconhecesse o "estatuto de beligerante" das Farc, supostamente habilitando os guerrilheiros a participar de um diálogo político.   "O Brasil tem atuado com discrição, diplomacia e isso é muito útil nesse tipo de operação", disse ao Estado o porta-voz do CICV em Bogotá, Yves Heller. "É uma posição que, ao mesmo tempo, agrada ao governo colombiano pela discrição e neutraliza o desejo das Farc de conseguir um protagonismo internacional exagerado a cada liberação", disse o representante da fundação colombiana Segurança e Democracia, Cesar Restrepo.   (Com João Paulo Charleaux e Damaris Giuliana, de O Estado de S. Paulo)

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