Senadora pedirá ajuda a Lula para libertar refém das Farc

Piedad Córdoba quer contribuição logística brasileira para soltura de Pablo Emílio Moncayo, além de mediação

Denise Chrispim Marin, O Estado de S. Paulo

27 de abril de 2009 | 18h38

A senadora colombiana Piedad Córdoba, do oposicionista Partido Liberal, pretende pedir na terça-feira, 27, ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva a contribuição logística do Brasil para a operação de libertação do militar Pablo Emílio Moncayo, sequestrado pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) em 2007. Piedad espera ainda obter um sinal mais consistente da disposição do Brasil de atuar como mediador, ao lado do México, em uma renegociação de paz entre o governo Álvaro Uribe e os líderes das Farc.

 

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Em princípio, não será solicitado nada além do que o governo brasileiro já se dispôs a oferecer - a provisão de uma zona neutra, em território brasileiro, para essa eventual negociação. O desafio da senadora, desde sua chegada ao Brasil anteontem, não tem sido fácil. O presidente Lula resiste em recebê-la, por temor de que essa visita desagrade Uribe e comprometa a aproximação Brasil-Colômbia. Até o final desta edição, sua audiência não estava agendada pelo Palácio do Planalto.

 

Mas, nesta segunda-feira, a senadora pôde apresentar seus apelos ao assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia. Hoje, Piedad vai detalhá-los aos parlamentares da bancada do PT no Congresso e, amanhã, à Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado. Em princípio, Córdoba esperava conversar também com a ministra Dilma Rousseff, da Casa Civil, e com o chanceler Celso Amorim - encontros que tampouco estão confirmados.

 

O pedido de apoio logístico brasileiro - possivelmente, a cessão de helicópteros e tripulação - traz implícito um componente de pressão para que o governo Uribe não venha a atropelar a entrega unilateral do refém pelas Farc com uma operação do Exército colombiano na região de seu cativeiro ou com a imposição de novas exigências.

 

Em fevereiro passado, o Brasil forneceu dois helicópteros para uma operação de liberação de seis prisioneiros da guerrilha colombiana. Na ocasião, o pedido viera diretamente do governo Uribe. Em princípio, o Brasil repetirá a contribuição somente se houver solicitação de Bogotá.

 

Entretanto, o simples anúncio da disposição do Brasil de apoiar a liberação de Moncayo poderá cair, no governo Uribe, como um apelo para que não aborte essa operação. Em claro ataque a Piedad, Uribe anunciou, na sexta-feira passada, que autorizaria a presença somente de representantes da Cruz Vermelha e da Igreja no processo de entrega do militar sequestrado pelas Farc.

 

No último dia 16, líderes da guerrilha haviam se comprometido a liberar o militar apenas a uma comissão encabeçada pelo pai do refém, Gustavo Moncayo, e Piedad Córdoba. Pablo Emilio Moncayo faz parte de um grupo de 22 militares sequestrados há mais de 11 anos e que as Farc, atualmente, pretendem trocar por militantes presos na Colômbia e nos Estados Unidos.

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