Senadora revela prova de vida de ex-congressista refém das Farc

Tulio Lizcano está em poder da guerrilha há mais de sete anos; ele pede para que não se tente resgate militar

Efe,

04 de abril de 2008 | 01h27

A senadora colombiana Piedad Córdoba, que trabalhou na mediação para libertar reféns das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), revelou nesta quinta-feira, 3, provas de vida do ex-congressista Óscar Tulio Lizcano, em poder da guerrilha há mais de sete anos. Veja também:Rebelde colombiano descarta libertação unilateral de refénsHospital colombiano é preparado para receber IngridLula: 'País só intervém no caso se Colômbia pedir'Filho de Ingrid diz que morte 'é questão de horas' Conheça a trajetória de Ingrid Betancourt Por dentro das Farc Entenda a crise  Histórico dos conflitos armados na região    Córdoba exibiu um vídeo durante uma homenagem que recebeu em Bogotá por suas gestões ao lado do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, para conseguir a libertação de seis políticos seqüestrados pelas Farc. Lizcano, seqüestrado em 5 de agosto de 2000 no departamento de Caldas (oeste) quando era membro da Câmara de Representantes, é o político colombiano que mais tempo está em poder do grupo e se encontra doente. O político é pai de Mauricio Lizcano, eleito em 2006 membro da câmara baixa, e que atualmente preside a Comissão de Paz dessa corporação legislativa. No vídeo revelado por Piedad Córdoba, Lizcano se dirige à câmara rodeado de dois rebeldes armados com o rosto coberto e ao fundo uma bandeira. A gravação, com som ruim, permite ouvir a voz do político que em tom enérgico afirma: "Sou um navio que está afundando com as luzes acesas" e pede que não se tente um resgate militar. A família de Lizcano não tinha notícias suas há mais de três anos e em meados de março passado tinha pedido provas de vida. A senadora Córdoba, do Partido Liberal (opositor), foi alvo de críticas por setores que a acusam de desacreditar o país no exterior e por congressistas que censuram suas ausências freqüentes para viagens a Caracas a fim de se reunir com Chávez. Córdoba pediu a Uribe que impulsione o acordo humanitário pelo qual as Farc libertariam 40 políticos, soldados e policiais cativos, entre eles a ex-candidata presidencial franco-colombiana Ingrid Betancourt, que aparentemente está em estado grave de saúde. Em troca, o estado deve libertar cerca de 500 rebeldes presos, mas as Farc exigem antes que se desmilitarizem os municípios de Florida e Pradera (departamento de Valle del Cauca, sudoeste) durante 45 dias, para realizar diálogos de paz. A senadora Córdoba manifestou também seu interesse em novas gestões humanitárias, mas esclareceu que sua participação depende da decisão do líder. A prova de sobrevivência foi conhecida enquanto vários setores clamam pela libertação de Ingrid Betancourt e uma missão humanitária francesa que chegou de Paris espera que as Farc permitam que seja dado atendimento médico urgente à ex-candidata.

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