Setor de transporte inicia paralisação na Bolívia

Greve atinge serviços urbanos e aeroportos; companhias aéreas estrangeiras suspendem operações no país

Reuters,

14 de novembro de 2007 | 14h27

Os proprietários de veículos de transporte urbano e intermunicipal da Bolívia iniciaram uma paralisação nesta quarta-feira, 14, dia em que começou uma onda de protestos descrita pelo governo do presidente Evo Morales como uma "conspiração política da direita". A paralisação do setor de transportes, quase total segundo informações de rádios, coincide com uma greve no principal aeroporto do país e com o fim do prazo dado por cinco governadores de Departamento oposicionistas para que Morales anulasse um decreto pelo qual redistribuiu os impostos que pesam sobre o petróleo. As ações afetam parcialmente o dia-a-dia das grandes cidades, onde houve relatos sobre pequenos choques entre policiais e manifestantes, segundo as rádios. A Confederação de Motoristas, como se denomina a poderosa organização de proprietários dos veículos de transporte, descreveu a paralisação, inicialmente, como um dia de protesto contra a falta de diesel. Mas, no último momento, decidiu protestar também contra a inflação, de quase 10% ao ano. "Essa é uma paralisação ilegal, injusta e política. É uma conspiração da direita. Não por acaso coincide com as mobilizações dos governadores e dos comitês cívicos da oposição", afirmou a repórteres Alfredo Rada, ministro do Interior. O líder da Confederação de Motoristas, José Luis Cardozo, disse na terça-feira que o setor "não faz política, mas a defesa de suas fontes de trabalho". Há pouco mais de um ano, o setor resistiu sem sucesso a um decreto que o submeteu a um regime tributário geral e, desde então, deu apoio a várias manifestações de oposição ao governo. No aeroporto internacional de Viru Viru, em Santa Cruz, os funcionários realizavam uma paralisação de 24 horas para exigir o pagamento dos salários dos dois últimos meses. Viru Viru e outros aeroportos de Santa Cruz, região dominada pela oposição direitista, são administrados por uma pessoa nomeada pelo governo local e que atua de forma independente das autoridades nacionais de aeronavegação. Esse conflito integra o embate mais amplo entre Morales e regiões do país que exigem maior autonomia. Devido ao fechamento de Viru Viru, a empresa American Airlines, dos EUA, e outras companhias estrangeiras suspenderam suas operações na Bolívia na quarta-feira, afirmaram estações de rádio.

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