Setores da oposição boliviana ameaçam não reconhecer Carta

Nova Constituição dá aval às intenções de Evo de seguir no poder, dizem governadores; pleito segue marcado

Agências internacionais,

22 de outubro de 2008 | 17h05

Os governadores bolivianos opositores Rubén Costas, do Departamento (Estado) de Santa Cruz e Savina Cuéllar, de Chuquisaca, rejeitaram a convocação do referendo constitucional para aprovar a nova Constituição proposta pelo presidente Evo Morales, informa a agência France Presse. Costas, um dos maiores opositores a Evo, disse que as mudanças na Carta Magna, acordadas por congressistas da situação e oposição, dão aval às intenções do presidente que "desde o princípio tentou se perpetuar no poder pela força." Veja também:Conheça as mudanças no novo projeto constitucional Congresso aprova referendo para nova Constituição bolivianaFotos da marcha pró-referendo  "Não vamos reconhecer essa Constituição", afirmou Savina. O poderoso comitê civíco-empresarial de Santa Cruz emitiu um comunicado para "rechaçar enfaticamente a negociação do voto do povo ocorrida ontem no Congresso Nacional", assegurando que sua demanda para governos autônomos não havia sido totalmente incorporada no novo projeto constitucional. Na terça, Evo concordou em desistir de disputar um terceiro mandato presidencial nas eleições de 2014, em troca do apoio da oposição para a passagem da convocação do referendo, que acontecerá em 25 de janeiro de 2009. Para destravar a votação do pleito no Congresso, Evo concordou com a modificação de mais de 100 dos 411 artigos da nova Constituição, incluindo o referente à reforma agrária.  A proposta da nova Constituição tem um forte apoio da população indígena, mas conta com a oposição das classes média e alta dos quatro Departamentos (Estados) do leste da Bolívia. Esses Departamentos acusam Evo de tentar centralizar e aumentar seus poderes, enquanto ignora os pedidos de autonomia das regiões. "Sinto que o processo de mudança não tem mais volta. Digam o que disserem, façam o que fizerem, o neoliberalismo já não vai voltar", disse o presidente, após sancionar a consulta popular.  Em seu discurso, Evo criticou a oposição por ter demorado 18 horas no Congresso para votar a norma que permitiria o referendo e lembrou que teve de pedir paciência aos aimaras que queriam castigar parlamentares e mineiros, que com dinamite os ameaçavam.  "A Bolívia historicamente sempre foi refém das minorias" que tentam "submeter" a população às vontades do Congresso, disse o chefe de Estado. "Renunciei pelo bem do país e deste processo de mudança. Evo não é ambicioso, Evo não tem interesses", afirmou, após comentar que durante uma marcha pró-referendo que foi até o Congresso, muitas pessoas pediram que ele seguisse no governo por décadas.

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