Silêncio de Raúl Castro marca Dia da Rebeldia Nacional

Frustrando os cubanos, presidente preferiu delegar discurso ao vice e Fidel não apareceu

Efe,

26 de julho de 2010 | 19h09

90.000 pessoas assistiram às comemorações lideradas por Raúl Castro

 

SANTA CLARA, CUBA- Um inesperado silêncio do presidente Raúl Castro marcou nesta segunda-feira, 26, as comemorações do Dia da Rebeldia Nacional de Cuba e frustrou as expectativas sobre possíveis anúncios de reformas estruturais para a abertura do país.

 

Em 26 de julho de 1953, Fidel Castro, então um jovem advogado, liderou um atentado falido contra o ditador Fulgencio Batista com o assalto aos quartéis Moncada e Carlos Manuel de Céspedes, dando início ao processo de revolução que foi concluído em 1º de janeiro de 1959, com a ascensão de Fidel ao poder.

 

O general Raúl Castro, vestido de uniforme militar, liderou o ato central em Santa Clara, mas não discursou, tarefa que ficou com o primeiro vice-presidente do país, José Ramón Machado Ventura.

 

O ato foi realizado perante o mausoléu de Che Guevara em Santa Clara e contou com a presença de 90 mil pessoas, com a exceção de Fidel Castro. Na celebração o presidente Raúl se limitou a entregar diplomas de reconhecimento a representantes de diferentes províncias do país pelo cumprimento de metas econômicas.

 

Ventura explicou que a direção do Partido Comunista decidiu dedicar este 26 de julho ao aniversário de Simón Bolívar e ao bicentenário das lutas de independência da América.

 

Por este motivo, tinha-se previsto que o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, pronunciasse hoje o discurso central do Dia da Rebeldia Nacional, atividade suspensa devido à crise entre Caracas e Bogotá.

 

O vice também expressou a "inquebrável solidariedade" de Cuba com a Venezuela, país que "tem todo o direito de se defender". "A Venezuela sempre contará com o firme respaldo do povo cubano", disse.

 

Sobre a economia do país, Machado afirmou que Cuba continuará tomando decisões para superar as "deficiências do país a seu ritmo, "sem improvisações", sem "soluções populistas" e sem ser influenciada por "campanhas da imprensa estrangeira".

 

Em seu discurso o vice-presidente cubano se referiu também à "visível recuperação" de Fidel que, segundo ele, "é motivo de profunda alegria para os revolucionários cubanos e para os homens e mulheres progressistas além de nossas fronteiras".

 

"(Fidel Castro) Está presente e combatendo neste dia que tanto significa para ele e para todos nós", disse Ventura entre os aplausos dos presentes.

 

Assim, a expectativa dos cubanos sobre a possível presença de Fidel no encontro também não foi atendida. No sábado, o líder cubano apareceu vestido com uma camisa verde-oliva no povoado de Artemisa para homenagear combatentes que morreram no assalto ao Quartel Moncada.

 

 Durante sua presidência - que assumiu de forma interina em 2006 devido a doença de Fidel e definitivamente em 2008 - Raúl discursou na tribuna de oradores nos atos do dia 26 de julho celebrados em 2007, 2008 e 2009.

 

Em 1994, substituiu o então presidente Fidel, que estava em visita à Colômbia e não retornou para presidir o ato do Dia da Rebeldia Nacional.

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