Simón Bolívar vai virar boneco para enfrentar o Superman

Heróis venezuelanos vão combater colegas dos EUA; criadores tentam empréstimo de Chávez para produção

Agência Estado e Associated Press,

12 de março de 2009 | 14h54

Superman, Batman, Mulher Maravilha e Homem Aranha finalmente encerraram sua luta. Pelo menos na Venezuela. Inspirados nos ideais culturais do presidente Hugo Chávez, dois de seus seguidores estão planejando lançar uma linha completa de bonecos de personagens históricos tais como os heróis da independência Simón Bolívar e Francisco de Miranda. Durante anos Chávez tem se manifestado contra os super-heróis norte-americanos, afirmando que representam um domínio cultura "imperialista". O dirigente socialista pede aos pais que não comprem esses brinquedos para seus filhos, argumentando que as crianças deveriam brincar com figuras que representem os ícones históricos da Venezuela.   Joyce Parra e seu pai, Angel, aceitaram o pedido. Angel, um pintor de 58 anos, elaborou os desenhos de uma linha completa de figuras chamada de "Heróis da Venezuela". Os dois "socialistas", como se descrevem a si mesmos, viajaram mais tarde para a China e assinaram um acordo para fabricar o protótipo da figura de Miranda. Entretanto, pai e filha afirmam que necessitam desesperadamente de financiamento para produzir a linha completa de pelo menos 20 bonecos e esperam a ajuda de Chávez.   Joyce, de 26 anos, mostrou nesta semana para Chávez o brinquedo que evoca Miranda. O presidente elogiou a iniciativa em seu programa semanal de rádio e televisão. "É a batalha contra Superman, contra Batman, contra Robin, contra todos esses que envenenam nossas mentes desde pequenos e nos faz admirar o império, porque todos eles são símbolos imperiais", disse Chávez. "O esforços é louvável em função de nossa luta cultural".   Joyce se emocionou quando o presidente aplaudiu a iniciativa, mas ainda espera sua decisão de financiar os brinquedos, que eventualmente serão distribuídos pelo governo para crianças pobres de todo o país. "A ideia não é converter os ricos", disse Joyce durante entrevista na quarta-feira. "O que queremos fazer é fazê-los chegar às crianças, cujos pais não podem comprar tais brinquedos".   Dentre os bonecos há um de Antonio José de Sucre, marechal que ajudou Bolívar a libertar a Venezuela, Colômbia, Equador, Bolívia e Peru do colonialismo espanhol; Pedro Camejo, um ex-escravo que chegou a tenente durante a luta pela independência; e Guaicaipuro, um cacique indígena que resistiu à conquista espanhola. Também está previsto um boneco da amante de Bolívar, Manuela Sáenz, que, dizem, salvou a vida do Libertador depois de ter entrado num complô para matá-lo.   "Todas as crianças que viram o brinquedo adoraram. Mas também há adultos que também gostaram", disse Angel. Desde que assumiu o cargo, em 1999, Chávez tem visto sua própria imagem convertida em brinquedo. Um boneco falante de Chávez é vendido em lojas e por vendedores ambulantes desde o Natal de 2005. O boneco, de 30 centímetros de altura, e que é fabricado na China, porta a tradicional boina vermelha em sua cabeça de borracha e repete declarações revolucionárias quando se aperta um botão em suas costas.

Tudo o que sabemos sobre:
Venezuela

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.