Simpatizar com as FARC não é crime, diz presidente do Equador

A justiça do país ordenou a prisão de ex-subsecretário de Governo, acusado de vínculos com guerrilheiros

Reuters

07 de fevereiro de 2009 | 19h12

O presidente do Equador, Rafael Correa, disse neste sábado, 7, que simpatizar ou ter "amigos" membros das Farc não é crime no país, em momentos em que a justiça investiga supostas ligações de um ex-funcionário com uma rede de narcotráfico relacionada com o grupo rebelde. A justiça equatoriana ordenou a prisão de Jose Ignacio Chauvin, ex-subsecretário de Governo, acusado de eventuais vínculos com um bando que traficava cocaína das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). O ex-funcionário, que está detido para investigação, reconheceu que manteve reuniões com Raul Reyes, um líder guerrilheiro que morreu em março durante um ataque do exército colombiano a uma base das Farc assentada na selva equatoriana, o que gerou preocupações nos países sobre as consequências destes encontros. "Até agora, o que sabemos de Chauvin é que ele era amigo de Raul Reyes e tampouco isto é crime. Também não é crime neste país simpatizar com as FARC", disse Correa em seu informe semanal. "Outra coisa é se associar ilegalmente com as Farc para desestabilizar um governo vizinho, como a Colômbia, ou o próprio governo Equatoriano", completou. As reuniões de Chauvin com o guerrilheiro Reyes haviam sido por razões humanitárias. O governo equatoriano respaldava estas operações conjuntamente com a Venezuela e organizações internacionais. O ex-funcionário acusado não especificou se os encontros com Reyes foram em território equatoriano, se ocorreram enquanto ainda era empregado do governo e se Correa sabia de seus esforços na fronteira com a Colômbia. Depois da incursão militar, Quito rompeu relações diplomáticas com Bogotá, que não podia ter retomado devido a uma sequencia de acusações de ambos os governos sobre os mecanismos utilizados para controlar a fronteira comum de 600 quilômetros de extensão. Na base guerrilheira destruída, foram encontrados computadores com documentos que foram denunciados pela Colômbia e que se relacionariam a alguns funcionários equatorianos com as Farc.

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