Carlos Garcia/Reuters
Carlos Garcia/Reuters

SIP condena intenção de Chávez de controlar ações da Globovisión

É uma violação flagrante da liberdade de imprensa e de empreendimento, diz órgão

estadão.com.br

21 de julho de 2010 | 18h01

A Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP)condenou nesta quarta-feira, 21, o anúncio feito pelo presidente venezuelano Hugo Chávez, de que seu governo pretende adquirir até 48,5% das ações do canal privado Globovisión, o último de linha crítica a sua administração, e nomear membros da junta diretiva da emissora. O governo americano, por sua vez, disse que vai monitorar a situação.

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"É uma violação flagrante da liberdade de imprensa e de empreendimento na Venezuela", indicou a associação em nota assinada pelo presidente Alejandro Aguirre. "Repudiamos profundamente a atitude autoritária do governo Chávez".

Na terça-feira, Chávez disse que o Estado adquiriu 28,5% das ações do canal, pertencentes a Nelson Mezerhane, cujos bens estão sob intervenção devido a acusações de corrupção.

Outros 20% são de Luis Teófilo Núñez, falecido em 2007. O governo alega que empresas do setor não são hereditárias. As ações de Nuñez estão registradas em nome de pessoa jurídica.

Segundo a Globovisión, os acionistas não têm direito de nomear a direção do canal. A emissora ainda afirmou que 'linha editorial não se expropria'.

No dia da intervenção ao Banco Federal, em 14 de junho, Mezerhane disse à Globovisión que estava em Miami para fazer exames médicos. Logo depois, foi ditada uma ordem de prisão contra ele.

O presidente do canal e seu acionista majoritário, Guillermo Zuloaga, também é foragido da Justiça venezuelana após ter sido acusado de usura e associação criminosa por manter vinte veículos em sua propriedade. O empresário também se encontra nos Estados Unidos.

Zuloaga e Mezerhane consideram sua procura pela Justiça como um ato político por causa da linha editorial crítica ao governo adotada pela Globovisión.

 

Em 2007, Chávez recusou-se a renovar a concessão da emissora RCTV, crítica a seu governo, que teve de parar de transmitir em canal aberto e mudar sua sede para os EUA. No ano passado, as operadoras de canais a cabo também foram obrigadas a deixar de colocar no ar os programas da emissora logo depois de a RCTV ter se recusado a veicular as cadeias nacionais.

Reação dos EUA

Nesta quarta, o Departamento de Estado americano assinalou que examinará o caso com cuidado. "Estaremos observando cuidadosamente, disse o porta-voz do órgão, Phillip Crowley.

Com informações da Efe

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