SIP debate assédio à imprensa na região

Caso ‘Clarín’ e situação venezuelana devem marcar reunião extraordinária que acontece nesta sexta-feira

Ruth Costas, O Estado de S. Paulo

17 de setembro de 2009 | 07h30

Num momento em que crescem na América Latina as denúncias de restrições à liberdade de expressão, a Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP, na sigla em espanhol) e outras 17 organizações ligadas ao setor farão amanhã, em Caracas, um fórum de emergência sobre o tema.

 

Segundo a SIP, que representa mais de 1.300 jornais e revistas da região, o encontro discutirá tanto as ameaças à imprensa em âmbito regional quanto o caso específico da Venezuela."A Venezuela é o país em que a sistemática de ataques à imprensa está mais avançada", disse ao Estado Enrique Santos, presidente da SIP e codiretor do jornal colombiano El Tiempo. "Além disso, (Hugo) Chávez foi quem inaugurou na região esse novo padrão de assédio aos meios de comunicação."

 

Segundo grupos de defesa da liberdade de expressão, o "novo modelo" de censura é replicado por Equador, Nicarágua, Bolívia e Argentina. Seus métodos são multas e sanções administrativas, reformas legais, ações judiciais e a suspensão ou não-renovação de concessões.

 

O discurso agressivo de alguns líderes em relação à imprensa também estimularia a violência de seus simpatizantes contra meios opositores.

 

Santos lembrou os exemplos da lei discutida pelo Congresso equatoriano para "controlar conteúdos" e a investida de fiscais argentinos contra o Grupo Clarín.

Mas exemplos não faltam. Na Nicarágua, Daniel Ortega tem conclamado seus aliados a uma "luta contra a imprensa". Na Bolívia, Evo Morales está processando o jornal La Prensa por denunciar omissão em um caso de contrabando. Chávez ameaça fechar a TV Globovisión e mais de 200 rádios. E o equatoriano Rafael Correa quer fazer o mesmo com a emissora Teleamazonas.

 

Entre os que participarão do fórum da SIP está a Associação de Entidades Jornalísticas Argentinas. Também Alberto Ravell, diretor da Globovisión, e Marcel Granier, presidente da RCTV, tirada do ar em 2007, quando o governo venezuelano recusou-se a renovar sua concessão. "Chávez e seus aliados preferem atacar rádios e TVs porque esses veículos têm um alcance maior", diz o historiador venezuelano Manuel Caballero, que participará da reunião em Caracas.

 

A última reunião da SIP na Venezuela, em março de 2008, incomodou bastante o governo. Chávez fez um encontro paralelo para discutir o "terrorismo midiático". Houve protestos chavistas e alguns hotéis se recusaram a abrigar o fórum da SIP temendo represálias.

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