Sob pressão, Bachelet promete bolsas e aposentadorias melhores

A presidente chilena,Michelle Bachelet, prometeu na quarta-feira melhorar osserviços de saúde e educação e aumentar o valor dasaposentadorias e pensões, o que talvez livre o seu impopulargoverno de uma derrota nas eleições locais do Chile neste ano. Bachelet anunciou também a criação de um fundo de 6 bilhõesde dólares para custear milhares de bolsas de estudo noexterior. "Estamos apostando no futuro", disse Bachelet em seudiscurso anual ao Congresso, na cidade portuária de Valparaíso,a 100 quilômetros de Santiago. Ela disse que a verba será investida no exterior e que osjuros resultantes custearão as bolsas. Não disse se o montanteoriginal sairá dos lucros do cobre, dos impostos ou de algumaoutra fonte. A presidente também prometeu investimentos de 600 milhõesde dólares nos próximos dois anos para a saúde, e redução dosimpostos sobre a importação de maquinário industrial. O governo dela, de centro-esquerda, é alvo de protestos àsvezes violentos de estudantes contrários ao sistema educacionale ao modelo econômico que, na opinião deles, prejudica os maispobres. Enquanto Bachelet falava, uma tropa de choque diante doCongresso usava jatos d'água e gás lacrimogêneo contra umamanifestação de estudantes e trabalhadores. Em seu discurso, a presidente mencionou as eleiçõesmunicipais de outubro, consideradas um ensaio da sua coalizãopara a eleição presidencial de 2010. "O fato é que este é um ano eleitoral, e aos partidos ecandidatos eu digo que devemos elevar o nível do debate ediscutir nas eleições municipais como podemos melhorar a vidade cada cidadão", declarou. As aposentadorias e pensões terão um forte aumento, e 1,5milhão de pensionistas receberão um bônus de 20 mil pesos (42dólares). "Vamos dar uma ajuda adicional para o bolso de muitos lareschilenos", disse Bachelet, cujo governo já distribui bônus afamílias carentes para compensar o aumento internacional dosalimentos e combustíveis. A inflação está em seu nível mais elevado em mais de umadécada, e neste mês o Banco Central elevou a meta inflacionáriapara 4,7 por cento, além de reduzir a expectativa decrescimento do PIB para uma faixa de 4 a 5 por cento. "O panorama internacional apresenta novos desafios. Entãotemos de agir com mais sabedoria do que nunca", afirmouBachelet.

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