Sob pressão, greve contra Maduro tem baixa adesão

Ameaçadas de expropriação, empresas denunciam intimidação de militares

O Estado de S.Paulo

29 Outubro 2016 | 09h40

Vista com ceticismo mesmo por partidários da oposição e com a ameaça de estatização de empresas que interrompessem sua produção, a greve geral convocada pela oposição venezuelana contra o presidente Nicolás Maduro ontem teve adesão baixa. As empresas permaneceram abertas e acusaram o governo de intimidá-las com a presença de militares às suas portas.

A Fedecámaras, maior sindicato patronal da Venezuela, informou que após as ameaças do governo a maioria das empresas optou por permanecer aberta e delegou aos funcionários a escolha de participar ou não da greve. “O governo colocou militares na porta de várias empresas”, disse o vice-presidente da Fedecámaras, Carlos Larrazabal. “Isso não deveria acontecer num país democrático.”

Na noite anterior, o deputado Diosdado Cabello – número dois do chavismo – prometeu estatizar empresas privadas que apoiassem a greve. Agentes do Serviço Bolivariano de Inteligência (Sebin) foram enviados à sede das Empresas Polar, maior conglomerado privado do país, como meio de pressão, segundo a companhia.

“Os trabalhadores e os donos da empresa foram alvo de intimidação dos serviços de segurança”, disse a Polar em nota. “Lamentavelmente, em vez de nos enviar matéria-prima para produzir, mandam policiais para nos amedrontar sem razão, porque estamos aqui para produzir pelo país.”

Setores públicos, leais ao chavismo, não aderiram à paralisação e serviços de transporte funcionaram normalmente. O governo comemorou o fracasso da paralisação. “Aos líderes da extrema direita: vocês fracassaram”, disse o governador de Aragua, Tareck el-Aissami. “Ninguém apoiará o golpe.”

Partes de Maracaibo, a segunda maior cidade do país, aderiram em massa à greve. “Apoiamos a oposição. Minha empresa obedeceu à greve”, disse Leydy Navas, que trabalha numa construtora.

Nas ruas, mesmo partidários da oposição eram céticos quanto à eficácia da greve. “A greve é um bom método de pressão, mas se eu não trabalho eu não como”, disse o agente de seguros Adolfo Díaz, de 39 anos, em San Cristóbal, reduto da oposição no oeste da Venezuela.

A oposição, no entanto, celebrou a paralisação e publicou em redes sociais imagens de ruas vazias, como prova de que a greve teria sido bem-sucedida. A paralisação faz parte da estratégia da Mesa de Unidade Democrática (MUD) após o governo suspender o referendo revogatório do mandato de Maduro. No dia 3 haverá uma marcha até o Palácio de Miraflores, sede do Executivo./ EFE, AP e Reuters

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