Sobe para oito número de mortos em protestos na Bolívia

Choques entre partidários e opositores de Evo Morales no norte do país deixam dezenas de feridos

Agências internacionais,

11 de setembro de 2008 | 18h50

O número de mortos nos choques entre partidários e opositores do presidente boliviano Evo Morales ocorridos nesta quinta-feira, 11, subiu para pelo menos oito, informou o vice-ministro de Coordenação de Movimentos Sociais da Bolívia, Sacha Llorenti, em coletiva de imprensa. Segundo ele, foram encontrados oito corpos no necrotério de Cobija, capital do Departamento de Pando (no norte do país), onde aconteceram os enfrentamentos que deixaram dezenas de feridos.   A Bolívia vive nesta quinta o terceiro dia consecutivo de violência em várias regiões do país, todas controladas por opositores autonomistas que exigem a restituição de um imposto sobre o gás e o petróleo que antes era repassado para os governos dos departamentos bolivianos e são contra a nova proposta constitucional do governo. Até agora, o Exército boliviano não interveio na crise.   Veja também: Evo adverte oposição que 'paciência tem limite' Bolívia retoma parte do fornecimento de gás ao Brasil Lula expressa apoio a Evo diante da crise na Bolívia Chávez ameaça 'apoio armado' à Bolívia se Evo for derrubado Entenda os protestos da oposição na Bolívia Enviada do 'Estado' mostra imagens dos protestos na Bolívia  Imagens das manifestações     Em Cobija, as emissoras de rádio católicas Fides e Erbol disseram ter confirmado a chegada de oito corpos vindos dos locais dos confrontos: sete de camponeses e um funcionário do governo regional, que está nas mãos de um opositor. De acordo com o governo, os camponeses foram cercados e atacados com armas de fogo em uma estrada quando viajavam para participar de uma assembléia na cidade. Além dos mortos e feridos, cerca de 30 camponeses foram levados a Cobija como "reféns" do comitê cívico local, anunciou a rádio Fides. Mais cedo, Evo advertiu os opositores que a "paciência tem um limite". "Vamos ter paciência, prudência e, como sempre, evitar o confronto. Vamos agüentar, mas a paciência tem um limite", declarou o líder boliviano durante a entrega de uma obra pública na capital La Paz.    Envio de gás   O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, garantiu nesta quinta-feira que foi "quase restabelecida totalmente" a provisão de gás da Bolívia, que na quarta tinha sido parcialmente interrompida por um um ataque de opositores contra um gasoduto. Segundo o ministro, até às 17 horas (no horário de Brasília), o fluxo de gás já tinha sido "quase normalizado" e só faltavam em torno de três milhões de metros cúbicos dos 30 milhões diários que o país recebe da Bolívia.   No entanto, Lobão disse que "ainda não existe uma situação de total segurança" e ressaltou que espera que se normalize a situação no prazo de dois ou três dias. O ministro informou que o governo brasileiro tomou medidas como a desconexão de uma central termoelétrica da Petrobras, para reduzir ademanda brasileira e evitar o desabastecimento das grandes cidades.   Resposta brasileira   Ainda nesta quinta-feira, o assessor especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, declarou que o governo brasileiro não "tolerará" a ruptura na ordem constitucional da Bolívia. Segundo ele, no caso de derrubada de Evo, o Brasil não reconhecerá nenhum governo que se apresente com apto para substituí-lo. Garcia avalia que a situação atual requer que seja evitada uma guerra civil na Bolívia.   Ainda segundo Garcia, os problemas na Bolívia são complexos porque atingem duas tendências contraditórias - a necessidade de firmeza do governo para preservação da lei e da ordem e também flexibilidade no tratamento da demanda por autonomia e na repartição de impostos.   Com base nas conversas mantidas nesta quinta pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o líder boliviano, e no próprio telefonema que Garcia deu ao embaixador boliviano Pablo Solon, o assessor especial da Presidência insistiu que o governo boliviano está disposto a dialogar com a oposição.     Para facilitar esse diálogo, o Grupo de Amigos da Bolívia (Brasil, Argentina e Colômbia) e também o Chile se colocaram à disposição de Evo Morales para essa intermediação. Garcia informou que um avião da Força Aérea Brasileira está pronto para decolar de Brasília para levar autoridades a La Paz.   Esse grupo seria formado pelo próprio Garcia e pelo secretário-geral das Relações Exteriores, Samuel Pinheiro Guimarães.   O chanceler da Argentina Jorge Taiana e uma autoridade colombiana e chilena completariam o grupo que aguarda "momento oportuno" para embarcar.   O assessor da Presidência informou ainda que, além de conversar com Evo Morales, o presidente Lula tratou da questão da crise boliviana com os presidentes Hugo Chávez (Venezuela) e Cristina Kirchner (Argentina).     (Com Denise Chrispim Marin, da Agência Estado)

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