Sorridentes, reféns das Farc são libertadas

Com amplossorrisos e longos abraços nos mediadores, duas mulheres foramlibertadas na quinta-feira pela guerrilha colombiana Farc,depois de mais de cinco anos de cativeiro. Graças a um acordo mediado pela Venezuela, um helicópteroresgatou Clara Rojas e Consuelo González na selva colombiana eas levou para o outro lado da fronteira. TVs mostraram as duas mulheres se despedindo dos seussequestradores na selva e falando por telefone por satélite como presidente venezuelano, Hugo Chávez, a quem agradeceram pelamediação. "Por favor, presidente, não baixe a guarda. Os que ficampara trás querem que eu lhe diga que (...) temos de continuartrabalhando", disse a ex-deputada González, 57 anos, quecarregava uma flor cor-de-rosa. "Mil vezes obrigada. O sr. estános ajudando a viver outra vez." A ex-assessora política Rojas, 44 anos, está mais magra eseu cabelo castanho lhe cai sobre o rosto. Tanto ela quanto acompanheira pareciam cansadas e pálidas, mas bem de saúde. Elas se despediram das guerrilheiras com beijos e apertaramas mãos dos homens, numa clareira aberta na região da cidadecolombiana de San José del Guaviare. Chávez prometeu continuar trabalhando pela libertação dedezenas de outros reféns, apesar de ter sido afastado no finaldo ano do papel formal de mediador, depois de irritar o governocolombiano por manter contatos com a cúpula das Forças Armadas. "Tomara que possamos em breve falar de um segundo grupo (dereféns libertados)", disse Chávez ao comentar ao vivo pela TV achegada dos helicópteros à Venezuela. É a primeira vez em mais de 40 anos de existência que asForças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) libertamreféns tão importantes de forma unilateral. González e Rojas foram em seguida levadas para Caracas,onde parentes as aguardavam. "Ainda parece que estou sonhando", disse com olhosmarejados Clara de Rojas, mãe da refém quase homônima. Chávez organizou uma missão semelhante no final dedezembro, quando a guerrilha prometia soltar González, Rojas eo filho dela, Emmanuel, nascido em cativeiro. A operação foicancelada porque o menino não estava em poder das Farc. A França, que acompanha o caso diretamente por envolver aex-candidata a presidente da Colômbia Ingrid Betancourt, quetambém tem cidadania francesa e é refém desde 2002, elogiou oprocesso que levou à mediação. "A França está satisfeita",disse o presidente Nicolas Sarkozy. "Espero que Ingrid seja a próxima e que possamos tê-la nosbraços de toda a família", disse a mãe da ex-candidata, YolandaPulecio. Relutantemente, os EUA admitiram o papel positivo damediação de Chávez, mas deixaram claro que não pretendem pedirajuda dele para libertar três reféns norte-americanos das Farc. (Reportagem adicional de Hugh Bronstein, Javier Mozzo eLuis Jaime Acosta em Bogotá, e Deisy Buitrago, Patricia Rondone Frank Jack Daniel em Caracas)

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