Substituto de Reyes está internado na Venezuela, diz imprensa

Jornais afirmam que Joaquín Gómez foi ferido e está sob vigilância da Guarda Nacional venezuelana

Efe e Reuters,

11 de março de 2008 | 13h48

A imprensa venezuelana afirmou nesta terça-feira, 11, que Joaquín Gómez, escolhido para ser o substituto de Raúl Reyes no Secretariado das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), estaria hospitalizado em uma clínica na fronteira entre a Venezuela e a Colômbia. Veja tambémPor dentro das Farc Entenda a crise na América Latina  Histórico dos conflitos armados na região  O dirigente das Farc Milton de Jesús Toncel teria sido ferido gravemente e estaria recebendo assistência sob forte vigilância da Guarda Nacional, que não permite que ninguém se aproxime do local. A imprensa cita com fontes vizinhos do centro médico, que afirmaram que o guerrilheiro teria sido hospitalizado no último sábado. O governo colombiano afirmou que não recebeu nenhum informe ou requerimento da Venezuela sobre a suporta internação de Joaquín Gómez, segundo confirmaram fontes policiais. O diretor da Polícia Nacional, o general Óscar Naranjo, disse que Caracas não confirmou o ingresso do rebelde no hospital no lado venezuelano da fronteira. Gómez é o atual comandante do chamado Bloco Sul das Farc, que atua nos departamentos colombianos na fronteira com o Equador e o Peru. Ele era um dos homens mais próximos de Reyes. Os dois integraram o grupo de negociadores no fracassado diálogo de paz com o governo Andrés Pastrana (1998-2002). Gómez foi encarregado de ler a mensagem que o comandante das Farc, Manuel Marulanda, preparou para a cerimônia de abertura desse diálogo, em janeiro de 1999, quando o líder guerrilheiro recusou-se a participar do ato público com Pastrana, alegando razões de segurança. Liderança política Ex-professor e agrônomo formado na Rússia, Gómez atualmente dirige o Bloco Sul das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, uma das mais temidas e sangrentas estruturas da guerrilha, para a qual entrou na década de 1980, depois de militar em organizações de esquerda como a Juventude Comunista.  Seu antecessor Reyes, considerado o número 2 da organização, morreu no sábado, numa ação militar da Colômbia contra seu acampamento em território equatoriano, o que abriu uma grave crise diplomática com Quito. Outros 23 guerrilheiros morreram no episódio, chamado de "massacre" pelo governo do Equador.  Gómez foi funcionário público e chegou a ser policial numa localidade próxima à cidade de Riohacha, capital do Departamento da Guajira. Foi também professor primário na cidade de Maicao, perto da fronteira com a Venezuela, e depois em uma universidade em Florencia, capital do Departamento do Caquetá.  O secretariado da guerrilha, formado por sete dirigentes, é a máxima instância política do grupo, que tem cerca de 17 mil combatentes e consta na lista de organizações terroristas feitas pelas autoridades de Estados Unidos e União Européia.  Toncel, um homem magro, moreno e alto, é uma pessoa calada e arredia com jornalistas, segundo fontes de segurança. Ele foi um dos participantes das frustradas negociações de paz com o governo de Andrés Pastrana (janeiro de 1999-fevereiro de 2002), e nos últimos anos comandava oito frentes de combate do grupo, nos Departamentos de Huila, Caquetá e Putumayo (sul), além de gerir grande parte das finanças da organização. Em sua ficha criminal constam seqüestros, ataques a povoados, assassinatos e ataques a bases militares e delegacias, com elevado número de vítimas.

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