Suposto chefe do tráfico é morto no México

As forças mexicanas de segurança mataram num confronto um dos principais líderes do poderoso cartel de traficantes La Familia, disse uma alta fonte governamental na sexta-feira-feira.

REUTERS

10 de dezembro de 2010 | 19h21

Alejandro Poiré, chefe nacional de segurança, disse que Nazario Moreno, conhecido como "El Más Loco", foi morto em um tiroteio na noite de quinta-feira na localidade de Apatzingan, reduto da quadrilha dele, no Estado de Michoacan, de onde é oriundo o presidente Felipe Calderón.

"Diversas informações obtidas durante a ação indicam que Nazario Moreno González foi morto ontem", disse Poiré em entrevista coletiva, confirmando indícios citados por ele próprio horas antes.

Acredita-se que Moreno fosse o principal líder do La Familia, quadrilha que usa uma filosofia pretensamente religiosa para justificar o assassinato de rivais e para evitar que seus traficantes abusem das drogas.

"O Mais Louco" mistura passagens bíblicas e frases de autoajuda para doutrinar seus subordinados, e tenta promover sua mística afirmando dar proteção às populações locais.

As autoridades mexicanas ofereciam recompensa de 30 milhões de pesos (2,4 milhões de dólares) pela captura de Moreno e de três outros líderes do cartel, e os EUA também solicitavam sua prisão.

Ele é o segundo chefe do tráfico a ser eliminado em pouco mais de um mês. Em 5 de novembro, foi morto Ezequiel Cárdenas, o "Tony Tormenta", do cartel do Golfo.

O cartel La Familia está em guerra com as facções Zetas e Beltrán Leyva pelo controle da costa de Michoacan, onde os traficantes recebem carregamentos ilegais de substâncias químicas usadas na produção de metanfetaminas. Dois líderes da "família" foram presos no ano passado.

A operação de caça ao "Mais Louco" causou graves incidentes. Desde quarta-feira à noite, homens armados sequestaram carros e caminhões, ateando fogo a muitos deles para bloquear as entradas de várias cidades de Michoacán. Os ônibus para a região foram suspensos, e centenas de agentes estão mobilizados para tentar controlar os ataques, aparentemente coordenados.

Cerca de 33 mil pessoas já morreram no México desde dezembro de 2006, quando Calderón tomou posse e decidiu mobilizar as Forças Armadas para combater o narcotráfico. La Família, que era uma quadrilha praticamente desconhecida há quatro anos, cresceu em proeminência nesse período, com uma mistura de violência, pseudoreligião e ajuda material aos pobres.

(Reportagem de Jason Lange)

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