Surge um novo escândalo na Colômbia, a 'farcpolítica'

Depois de enfrentar a "narcopolítica" ea "parapolítica", a Colômbia se vê diante de um novo escândalo,a "farcpolítica", ou seja, a ligação política com a guerrilhaesquerdista Farc, o que já levou 12 pessoas ao banco dos réus,inclusive 4 estrangeiros e 3 parlamentares. Emails encontrados em computadores que pertenceram aodirigente rebelde Raúl Reyes, morto no começo de março, são assupostas provas que levaram o Ministério Público colombiano apedir na quinta-feira uma investigação judicial. Nos últimos dois anos, a Corte Suprema de Justiça investigaa vinculação de dezenas de pessoas, inclusive mais de 60parlamentares, com paramilitares de direita, o que já levou 32congressistas e deputados regionais à prisão. Além disso,investiga-se também um suposto suborno a parlamentares para aaprovação da emenda de reeleição presidencial. O procurador-geral da Colômbia, Mario Iguarán, disse nasexta-feira que os emails encontrados no computador de Reyessugerem "algo muito mais do que uma gestão para a paz", e quepor isso a Polícia Judicial entendeu que existem "supostosvínculos com as Farc para justificar [a captura] dessaspessoas". Entre os parlamentares investigados está a senadora PiedadCórdoba, do Partido Liberal. Aliada do presidente venezuelano,Hugo Chávez, ela participou das duas missões humanitárias queno começo deste ano resgataram seis políticos reféns das ForçasArmadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Os outros parlamentares sob investigação são os deputadosWilson Borja e Gloria Inés Ramírez, ambos do Pólo DemocráticoAlternativo. Serão investigados também o venezuelano Amílcar Figueroa,deputado do Parlamento Latino-Americano; a equatoriana MaríaAugusta Calle, integrante da Assembléia Nacional Constituintede seu país; o também equatoriano Iván Larrea, irmão doministro de Segurança Interna e Externa, Gustavo Larrea; e oprofessor norte-americano James Jones. Os demais investigados são cinco colombianos, sendo doisdeles jornalistas. As mensagens encontradas nos laptops de Raúl Reyes tiveramseu conteúdo autenticado pela Interpol e serviram também paraque a Colômbia acusasse o Equador e a Venezuela de darem apoioà guerrilha esquerdista, inclusive em dinheiro. Quito e Caracasnegam. Córdoba negou ter trocado emails com Reyes e insinuou servítima de uma armação da inteligência militar colombiana, masanunciou que se apresentará à Justiça para esclarecer suasituação. Ela afirmou que, apesar das acusações, manterá as gestõespela libertação de mais de 40 reféns em poder das Farc, entreeles a ex-candidata a presidente Ingrid Betancourt. "Eu felizmente não tenho nada a esconder, dou a cara aopaís e me arrisco por este país até as últimas consequências,me arrisco pela paz", disse Córdoba à imprensa. Em Caracas, Figueroa disse que as acusações são uma manobrado governo de Álvaro Uribe para esconder a "parapolítica", queenvolve muitos aliados do governo. (Reportagem adicional de Saul Hudson em Caracas)

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