Ariana Cubillos/AP
Ariana Cubillos/AP

Temendo distúrbios, venezuelanos se abastecem antes da eleição

Pessoas lotaram os supermercados nesta sexta para comprar mantimentos; pleito é no domingo

Reuters

05 de outubro de 2012 | 18h07

CARACAS - Venezuelanos lotaram os supermercados nesta sexta-feira, 5, para comprar mantimentos, precavendo-se contra eventuais distúrbios por causa da eleição presidencial de domingo, que se configura como o maior desafio eleitoral ao presidente Hugo Chávez em seus 14 anos no poder. O jovem governador estadual Henrique Capriles cresceu na reta final da campanha, e pela primeira vez a oposição parece ter chances de tirar Chávez da presidência, que ele ocupa desde 1999.

 

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Muitos venezuelanos temem que um resultado apertado gere acusações de fraude e protestos, numa sociedade já polarizada e com grande número de armas ilegais. "Preciso pensar na minha família, pode haver violência, tudo é possível no país", disse a dona de casa Dayana Alvarez, de 38 anos, que comprava óleo de cozinha, leite em pó, velas e farinha em um movimentado supermercado de Caracas. Em alguns lugares, faltam produtos como macarrão, café, papel higiênico, arroz e leite.

"Estou comprando um pouco a cada dia. É preciso estar preparada. Sabe-se lá o que vai acontecer", disse a administradora de empresa María Eugenia Maduro, 38 anos, num supermercado de um bairro rico, onde há forte apoio a Capriles, e grande nervosismo pelo risco de distúrbios. Na reta final da campanha, três ativistas de oposição foram mortos num comício, e houve tiros e pedradas em alguns eventos. Não ocorreu, no entanto, a violência sistemática que muitos temiam antes da campanha.

 

Os dois lados manifestam confiança no sistema de urnas eletrônicas, e vão mobilizar fiscais em 13,7 mil zonas eleitorais. "Fomos e continuaremos respeitosos ao processo estabelecido", disse a jornalistas nesta sexta-feira o coordenador de campanha de Capriles, Leopoldo López. "Pedimos paz e tranquilidade."

As autoridades não permitiram a presença formal de monitores internacionais, mas a União de Nações Sul-Americanas (Unasul) e o Centro Carter têm equipes na Venezuela. Chávez, de 58 anos, diz repetidamente que a oposição está preparada para usar a violência a fim de reverter sua derrota, e seus críticos mais estridentes dizem que o presidente poderia se recusar a entregar o cargo se perder.

Entre meia dúzia de institutos de pesquisa no país, a maioria dá vitória a Chávez, mas Capriles vem crescendo nas últimas semanas, e dois levantamentos apontam sua vantagem. Em análises a seus clientes, nesta sexta-feira, o banco Credit Suisse disse que Chávez tem vantagem, enquanto o Barclays apontou que Capriles tem chances.

Chávez, um ex-militar que diz comandar uma revolução socialista, se mantém popular graças ao seu carisma e a programas sociais financiados pelo petróleo. Capriles faz campanha prometendo se inspirar na esquerda moderada que governa o Brasil, e explorando a insatisfação popular com a criminalidade, o desemprego e a precariedade dos serviços públicos.

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