Tensão aumenta às vésperas de novos referendos na Bolívia

Tentativas de bloqueioe queima de urnas eleitorais aumentaram no sábado as tensõesnos departamentos amazônicos da Bolívia, que farão referendosde autonomia no domingo, em desafio ao presidente Evo Morales. Os referendos não autorizados, que pretendem aprovarestatutos de autonomia em Beni e Pando, acontecem um mês depoisde uma consulta parecida em Santa Cruz, departamento que lideraa economia boliviana. Em 22 de junho, outro referendoacontecerá em Tarija, que tem as maiores reservas de gásnatural do país. Apoiados pela oposição conservadora, os quatrodepartamentos paralisaram o processo de "refundação" do país,que entraria em vigor com a aprovação de uma Constituição"plurinacional" e colocaria a economia nas mãos do Estado. Enquanto em Trinidad, capital de Beni, o governador ErnestoSuaréz ordenava que a polícia e os militares estivessem aserviço do referendo, organizações camponesas e indígenasanunciavam um boicote à consulta. "Mas nada impedirá a vitória da autonomia contra acentralização", disse Suaréz a repórteres, prevendo que nodomingo haveria "uma festa" antes e depois da votação.A tensão cresceu quando várias organizações simpatizantes doMovimento ao Socialismo disseram ter impedido a distribuição dematerial eleitoral em várias regiões rurais de Beni. O sequestro de três urnas de votação e o bloqueio de umaestrada importante fizeram parte das manifestações contra oreferendo. SUSPEITA DE FRAUDE Em Cobija, capital de Pando, onde pesquisas apontam que foigrande o número de abstenções, políticos locais acusam ogovernador Leopoldo Fernández de "uma grande fraude". Elestambém lembraram que, em eleições passadas, houve supostasirregularidades que não foram punidas. "Aqui, os resultados do referendo já estão dados, hácumplicidade entre o governo e a Corte Departamental Eleitoral.Eles vão anunciar o resultado que quiserem, mas nós ficaremosem casa no domingo", disse Miguel Bacerra, ex-prefeito deCobija. O presidente da Corte Eleitoral de Pando, Elías Valdez, seopôs às denúncias e disse que a transparência da votação estágarantida.

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