Tensos, bolivianos esperam resultado de referendo no país

Votação deste domingo define a continuidade do mandato do presidente Evo Morales e de oito governadores

Agências internacionais,

10 de agosto de 2008 | 17h35

Após oito horas de votação na Bolívia, os colégios eleitorais começaram a fechar às 16 horas (horário local, 17 horas, no horário de Brasília) deste domingo, 10. O referendo revogatório decidirá a continuidade do mandato do presidente Evo Morales e de oito governadores no país.   Segundo informações da agência de notícias France Press, Evo deve convocar a oposição para diálogo assim que o resultado do referendo seja divulgado. Após o fim da votação, os eleitores bolivianos esperam os resultados extra-oficiais em clima tenso.   A votação chegou ao fim em quase todo o país, sendo que apenas na região amazônica de Yucumo, em Beni, o referendo deve continuar até à noite, já que a votação começou mais tarde, afirmou a Corte Nacional Eleitoral. As votações transcorreram em normalidade e apenas em algumas regiões como a de Yucumo houve enfrentamento entre governistas e oposição, o que causou atraso no início da votação.   Incertezas   O processo está cercado de incerteza sobre a porcentagem necessária para revogar os governadores, já que a CNE estabeleceu uma fórmula diferente da lei promulgada por Morales, que dá mais possibilidades de ratificação aos governadores.   A CNE afirmou que, no caso dos governadores - a maioria deles de oposição - o mandato será revogado se o voto contrário for superior a 50% do total, frente à norma do Congresso, que fixa porcentagens de 38% a 48%.   Para o caso de Morales, a lei e a interpretação feita pela Corte Nacional Eleitoral coincidem, e estabelecem que o mandato do presidente pode ser revogado se a votação contrária for superior aos 53,7% obtidos no pleito presidencial de 2005.   García Linera aproveitou este domingo para lembrar que, como determina a lei, a consulta sobre seu mandato e o do presidente é de âmbito nacional e a dos governadores tem caráter departamental, e qualquer outra interpretação pode significar crimes de desacato e sedição.   A partir da segunda-feira, 11, após definido o novo cenário político do país, é possível abrir "o melhor cenário para o diálogo a partir da sinceridade das diferentes forças políticas", disse García Linera.   'Grande Rebelião'   O presidente da Bolívia, Evo Morales, afirmou neste domingo, 10, que "a América Latina vive uma grande rebelião" contra as políticas que não resolvem os problemas das maiorias, após emitir seu voto no referendo revogatório sobre o mandato das autoridades.   Morales depositou seu voto por volta das 9h20 (10h20 de Brasília) em uma escola de Villa 14 de Septiembre, em Chapare, onde têm sua sede os sindicatos que impulsionaram o atual chefe de Estado em 2005 à Presidência da Bolívia.   "Quero reafirmar que, na América Latina, há uma grande rebelião contra políticas econômicas que não resolvem os problemas sociais, os problemas econômicos das maiorias nacionais", disse Morales aos jornalistas.   Morales acrescentou que tem um "respeito único" pelos presidentes da região andina do continente e da América do Sul em geral, que lhe dão "recomendações e sugestões para aprofundar a mudança, para fortalecer a democracia, para servir melhor ao povo boliviano".   O governante também convocou a população a votar - são mais de 4 milhões de eleitores chamados às urnas -, e que vote de maneira "consciente e saudável" para decidir a continuidade ou revogação do mandato de suas autoridades.   A votação definirá a continuidade ou revogação do mandato de Morales, do vice-presidente Álvaro García Linera e de oito governadores do país, entre eles seis da oposição.

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