Termina protesto de ruralistas por segurança no Paraguai

As principais entidades ruralistas do Paraguai encerraram na terça-feira uma mobilização nacional para exigir "segurança e trabalho", num momento de crise fundiária devido a ocupações de fazendas por sem-terra. O protesto, iniciado na segunda-feira, ocorreu sem incidentes nem interdições de estradas. Ele reuniu cerca de 50 mil pessoas e 15 mil máquinas agrícolas em dezenas de localidades na maioria dos Departamentos do leste paraguaio, segundo a imprensa local. Trata-se da primeira manifestação do setor -- responsável por cerca de 25 por cento do PIB -- desde a posse do presidente centro- esquerdista Fernando Lugo, em 15 de agosto. Segundo testemunhas, as máquinas e tratores voltam na terça-feira lentamente para os campos do país, quarto maior exportador mundial de soja. Os produtores formam longas filas de veículos decorados com bandeiras paraguaias e cartazes com os dizeres "paz no campo" e "queremos trabalhar". O "tratoraço" foi convocado pela União de Grêmios da Produção, com apoio das principais entidades empresariais e industriais do país. A tensão rural aumentou nos últimos meses devido a ameaças de camponeses de invadirem fazendas, especialmente de produtores brasileiros, para pressionar o governo a acelerar o cumprimento da sua promessa de realizar uma reforma agrária. Os fazendeiros dizem que o clima de insegurança dificulta seu trabalho em centenas de propriedades. "Temos ameaças de invasão e não nos deixam semear. Queremos uma solução, por isso nos manifestamos pacificamente ao lado das estradas", disse a uma TV local o agricultor Ichiro Fukui, da Colonia Yguazú, fundada décadas atrás por imigrantes japoneses no leste do país. O governo criou há algumas semanas a Coordenadoria Executiva para a Reforma Agrária, a fim de atender às queixas dos camponeses, e reafirmou que garantirá o respeito à propriedade privada. Lugo, que participa da cúpula do Mercosul na Bahia, disse que a reivindicação de segurança e trabalho também preocupa o governo. "Devemos somar esforços para construir um Paraguai diferente", disse ele à imprensa do seu país. (Reportagem de Mariel Cristaldo)

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