Terremoto afeta 2 milhões no Chile; mortos passam de 700

Presidente Michelle Bachelet diz que vários dias serão necessários para avaliar a enorme devastação

EFE/AP/Reuters,

28 de fevereiro de 2010 | 09h32

O Chile calcula neste domingo, 28, o saldo da devastação causada por um dos maiores terremotos da história, que deixou 708 mortos, além de disparar alarmes de tsunamis no Japão e em outros países do Pacífico no sábado. Neste domingo, 28, o alerta de tsunamis foi cancelado pela Administração Nacional de Atmosfera e Oceanos (NOAA, em inglês), dos Estados Unidos. Mas um novo tremor de 6,2 graus na escala Richter abalou neste domingo as regiões central e sul do Chile.

 

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"Dois milhões de pessoas foram afetadas", disse a presidente do Chile Michelle Bachelet, acrescentando que serão necessários vários dias para avaliar "os danos da enorme devastação".

  

O terremoto de 8,8 graus na escala Richter que atingiu o Chile na madrugada de sábado, causou ondas de dois metros acima do normal que atingiram a costa do país, de acordo com o serviço de pesquisa geológica do EUA. Testemunhas na região costeira de Maule, próxima ao epicentro do abalo, viram casas "simplesmente desaparecerem", informou a Agência Nacional de Emergência.

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A presidente Bachelet, que deixa o cargo em 11 de março, emitiu uma mensagem de condolências e solidariedade às vítimas do forte terremoto que castigou 80% do país, e pediu a todos seus compatriotas que se ergam para reconstruir um país acostumado a desastres naturais. Declarou "zona de catástrofe" seis regiões do país, o que permitirá liberar os recursos econômicos para ajudar a população do centro do país e disse que o terremoto "foi uma catástrofe de consequências devastadoras".

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A presidente adiou para 8 de março o início das aulas. O aeroporto da capital permanecerá inoperante até segunda-feira, mas o metrô de Santiago voltará a funcionar neste domingo.

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Réplicas

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Após o terremoto da madrugada de sábado, houve 110 réplicas, das quais mais da metade tiveram magnitudes superiores a 5 graus na escala Richter.

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Um tremor de 6,2 graus na escala Richter abalou neste domingo as regiões central e sul do país.

O sismo foi sentido às 8h28 (na hora local e em Brasília) de Valparaíso, 100 quilômetros a noroeste de Santiago, até Concepción, 500 quilômetros a sul da capital.

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O Serviço de Geologia dos Estados Unidos informou que o sismo teve magnitude de 6,2 graus na escala Richter, enquanto no Chile o Escritório Nacional de Emergência (Onemi) disse que a intensidade foi de 6 graus na escala internacional de Mercalli, que vai de um a 12, na região de Maule.

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Segundo Carmen Fernández, diretora do Onemi, os primeiros relatórios assinalam que se tratou na realidade de três tremores consecutivos, mas não sabia informar se causaram novos danos.

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Poe medo das réplicas, centenas de pessoas dormiram em colchonetes nas ruas do centro de Santiago. Em Concepción, a segunda cidade do país, com de 670 mil habitantes e distante 115 quilômetros do epicentro do terremoto, milhares de pessoas passaram a noite em tendas improvisadas e abrigos. Alguns perambulavam pela cidade empurrando seus pertences em carrinhos de supermercado. A cidade está sem lua e sem água e os únicos veículos a circular são os da polícia. Dezenas de bombeiros tentam resgatar os sobreviventes dos escombros de um edifício de 14 andares que caiu com o tremor.

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"Nós passamos toda a noite trabalhando, removendo paredes para procurar sobreviventes. O grande problema é combustível, nós precisamos de combustível para nossas máquinas e água para as pessoas", disse o comandante Marcelo Plaza.

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Segundo a diretora do Escritório Nacional de Emergência (Onemi), Carmen Fernández, o número de mortos aumentará à medida que evolui o trabalho das equipes de emergências e disse que até dentro de 72 horas não se conhecerá a "dimensão total" do terremoto, que o ministro do Interior, Edmundo Pérez Yoma, qualificou como "um cataclismo de dimensões históricas".

"Desde o ano de 1960 (data do terremoto de Valdivia, o maior da história, de 9,5 graus Richter) nunca tínhamos tido um terremoto assim", disse Pérez Yoma.

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Solidariedade

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O papa Bento XVI disse no Domingo que suas orações estavam sendo feitas pelas vítimas do terremoto no Chile: "rezo pelas vítimas e estou espiritualmente perto das pessoas afetadas por tão grave calamidade" disse o pontífice após o Ângelus na Praça San Pedro. Bento XVI acrescentou que pedia a Deus "alívio em seus sofrimentos e coragem na adversidade".

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O presidente da China, Hu Jintao, enviou uma mensagem de pesar a sua colega chilena, Michelle Bachelet. Segundo informou hoje a agência oficial "Xinhua", Hu expressou suas "sinceras condolências" a Bachelet, seu Governo e todo o povo chileno, assim como às vítimas do tremor, além de oferecer ajuda de emergência para atenuar os efeitos do tremor. A China foi vítima de um forte terremoto de 7,8 graus na escala Richter, que devastou a região montanhosa da Província de Sichuan em 2008.

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(Reportagem atualizada às 16 horas)

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