Toledo diz que Chávez disfarça apoio a Humala em eleição no Peru

Um dos principais candidatos presidenciais do Peru disse na quarta-feira que o favorito nas pesquisas, o nacionalista Ollanta Humala, tem o apoio "disfarçado" do mandatário venezuelano Hugo Chávez, cujas ideias "estadistas" poderiam prejudicar o crescimento do país.

REUTERS

30 Março 2011 | 21h43

A quase uma semana da eleição, o ex-presidente e candidato Alejandro Toledo, que vem caindo nas pesquisas, atacou Humala, que perdeu a eleição de 2006 aparentemente pelo apoio que recebeu de Chávez, um dos maiores líderes da esquerda na América Latina.

"Está tratando de disfarçar seu apoio e (Chávez) não tem coragem de dizer que (Humala) é seu candidato", disse Toledo, ao responder perguntas de jornalistas sobre as declarações que Chávez fez no Uruguai sobre o candidato.

"Acho que está fazendo de forma disfarçada", acrescentou.

Chávez afirmou que há no Peru um esforço para vinculá-lo a algum candidato, embora disse que Humala "foi um bom soldado" que teve o bom "gesto" de se revelar contra o governo do ex-presidente Alberto Fujimori.

Agora "há um partido ali, há um projeto, o povo peruano saberá em quem votar, mas a coisa já começou, (dizem) esses são de Chávez, cuidado; claro, estão tentando prejudicar Ollanta (Humala)", disse o mandatário venezuelano.

Humala, um militar aposentado que moderou seu discurso radical contra o livre mercado, subiu para o primeiro lugar nas últimas pesquisas eleitorais e destronou Toledo, que havia liderado as intenções de voto desde o início do ano.

Segundo analistas, Humala, Toledo e a deputada Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Fujimori que está preso por abusos aos direitos humanos, têm as maiores possibilidades de definir a Presidência no segundo turno. A primeira etapa do pleito está marcada para 10 de abril.

Toledo, que governou entre 2001 e 2006, criticou Humala por sua intenção de modificar a Constituição do Peru em busca de um novo modelo econômico, tal como propõe o candidato nacionalista em seu plano de governo.

"Acredito que há obviamente uma grande simpatia (de Chávez), um grande apoio e estou certo de que estrategicamente não vai dizer que está apoiando", disse o ex-presidente peruano.

"Não quero que o Peru se converta numa Venezuela, numa Bolívia, num Equador... é hora de eleger entre o estadismo e uma economia social de mercado", acrescentou.

O Peru, que tem um modelo econômico de livre mercado e abertura comercial, registrou crescimento de quase 9 por cento no ano passado, uma das maiores taxas do mundo.

(Reportagem de Marco Aquino)

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