Torturadores do pai de Bachelet são condenados à prisão no Chile

Um juiz chileno condenou dois coronéis aposentados à prisão nesta sexta-feira pela tortura do pai da presidente Michelle Bachelet, que indiretamente levou à morte dele, durante os primeiros dias da ditadura do general Augusto Pinochet, entre 1973 e 1990.

REUTERS

21 Novembro 2014 | 15h18

O juiz Mario Carroza sentenciou Edgar Cevallos Jones a uma pena de dois anos e Ramón Cáceres Jorquera a três anos por cometerem o “crime de tortura resultando na morte” do general da Força Aérea Alberto Bachelet Martínez.

Alberto Bachelet, que era leal ao presidente deposto Salvador Allende, foi preso na esteira do golpe de setembro de 1973 e acusado de traição.

Depois de ficar detido em uma prisão comum, Alberto Bachelet, que como outros servidores públicos se opunha à ditadura, passou a ser levado periodicamente à Academia de Guerra Aérea para ser torturado.

Ele morreu de ataque cardíaco em 12 de março de 1974, aos 50 anos, depois de uma longa sessão de interrogatórios, durante a qual foi torturado novamente.

Estima-se que três mil pessoas foram sequestradas e mortas ou desapareceram, e 28 mil foram torturadas, durante a ditadura de 17 anos. Pinochet morreu em 2006, aos 91 anos, sem chegar a ir a julgamento pelos crimes cometidos durante seu regime.

Michelle Bachelet, que está em seu segundo mandato, também foi torturada durante o período antes de fugir para a então Alemanha Oriental com sua mãe, Ángela Jeria.

(Por Antonio de la Jara e Erik Lopez)

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