Traição e estratégia permitiram morte de líder das Farc

A traição de alguns de seus homens de confiança, seduzidos por uma milionária recompensa, e um trabalho de inteligência com equipamentos de alta tecnologia foram decisivos para o sucesso da operação que resultou na morte do principal dirigente da guerrilha colombiana Farc.

LUIS JAIME ACOSTA, REUTERS

24 de setembro de 2010 | 18h34

O ministro de Defesa, Rodrigo Rivera, disse na sexta-feira que a morte de Jorge Suárez Briceño, mais conhecido como "El Mono Jojoy", demonstra o desmoronamento interno pelo qual passam as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia.

"Jojoy foi entregue por sua gente", disse Rivera, quem insistiu que a guerrilha sofre um processo de desintegração devido ao cansaço dos seus combatentes, às más condições de vida na selva e aos maus tratos cometidos por seus comandantes.

A morte do guerrilheiro, na chamada "Operação Sodoma", foi considerada pelo governo do presidente Juan Manuel Santos como o golpe mais contundente contra as Farc em seus mais de 40 anos de história.

Cerca de 400 militares, com apoio de 25 helicópteros e 30 aviões participaram da operação iniciada na quarta-feira com um bombardeio contra o acampamento das Farc nas selvas do município de La Macarena, no Departamento (Estado) de Meta, cerca de 250 quilômetros a sudeste de Bogotá.

O governo ofereceria uma recompensa de 2,7 milhões de dólares por informações que levassem à captura de Jojoy, considerado pelas Forças Armadas como o guerrilheiro mais sanguinário e temido pelos camponeses de uma extensa região do país.

O comandante guerrilheiro de 59 anos, que sempre era visto fardado, de boina preta e carregando um fuzil, era alvo de 60 mandados de prisão, cinco condenações, dois pedidos de extradição e 25 investigações por crimes de rebelião, homicídio, sequestro e terrorismo.

Rivera disse que outros dirigentes das Farc deveriam se entregar para não terem o mesmo fim de Jojoy.

"As Farc estão chegando a uma espécie de ponto de inflexão, golpeamos seu coração estratégico e, por isso, mandamos mensagens muito claras. Diante da violência, diante do terrorismo e do narcotráfico, seremos implacáveis", afirmou.

"Mas diante do violento ou do terrorista que se arrependa, que resolva mudar de vida, que resolva buscar uma segunda oportunidade, haverá misericórdia, haverá compaixão. Convidamos (os guerrilheiros) a se desmobilizarem, a se entregarem."

Comandantes militares e analistas preveem que a morte do dirigente pode provocar uma debandada de combatentes, ou estimular as Farc a negociarem a paz.

Na operação militar foram confiscados cerca de 20 computadores e 60 pen-drives que, segundo o general Oscar Naranjo, diretor da Polícia Nacional, devem conter informações sobre as atividades e os vínculos do grupo rebelde, que é apontado como uma organização terrorista por Estados Unidos e União Europeia.

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