Tribunais barram referendo em redutos da oposição na Bolívia

As cortes eleitorais de quatrosdistritos bolivianos controlados pela oposição anunciaram naterça-feira a impugnação de um referendo convocado para o dia10 de agosto, no qual estarão em jogo os mandatos do presidenteEvo Morales e de oito prefeitos regionais. O anúncio foi feito apenas horas depois de Moralesdenunciar a possibilidade de um "golpe eleitoral" de direitapara impedir a consulta, da qual o presidente sairiafortalecido e a oposição perderia força em várias regiões,segundo pesquisas. A impugnação do referendo, por meio de um recurso deinconstitucionalidade, será apresentada pela corte eleitoral dorico distrito de Santa Cruz e de outros três departamentos quehá pouco votaram por sua autonomia. "Foi elaborada uma moção para um questionamento junto aoTribunal Constitucional que apresentaremos amanhã ou depois portodas as irregularidades do processo e da lei que está vigentepara esse processo revogatório", disse o presidente da corte deSanta Cruz, Mario Parada. Ele fez o anúncio em uma coletiva de imprensa na qualinformou a adesão das outras três províncias que promoveram osreferendos regionais de autonomia, apesar das proibiçõesexpressas do governo de Morales e da Corte Nacional Eleitoral(CNE). Não estava claro o efeito que teria a demanda das corteseleitorais, uma vez que o Tribunal Constitucional está inativodesde o início do ano por falta de quórum. Parada acrescentou que os presidentes das cortes rebeldesvoltarão a se reunir na quarta-feira em Santa Cruz, o quecolocava em dúvida sua presença em uma reunião nacional deautoridades eleitorais convocada em La Paz pela CNE paracompletar a organização do referendo. Morales, que acaba de completar a metade de seu mandato decinco anos, denunciou na terça-feira que vários prefeitosquerem evitar o referendo que lhe daria a possibilidade deromper um cerco opositor ao seu governo. A nova polêmica sobre o referendo surgiu surpreendentementeno dia seguinte à decisão da CNE de descartar definitivamente asugestão de uma magistrada do Tribunal Constitucional desuspender a consulta até que se resolvam as dúvidas sobre suacontitucionalidade.

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