Tribunal manda prender jornalista venezuelano que denunciou PDVSA

Promotoria diz que tomou decisão porque García se negou a comparecer para depor no processo contra chefe

Efe,

15 de agosto de 2007 | 00h44

Um tribunal de Caracas determinou na terça-feira, 14, a detenção do jornalista Leoncenis García, que denunciou a corrupção na companhia petrolífera estatal Petróleos de Venezuela SA (PDVSA). Ele é acusado de "obstrução de justiça" no caso em que o chefe de redação do jornal Diário Reporte de la Economía, José Ramírez, responde por extorsão.  Veja tambémPromotora pede prisão de venezuelano da maleta com dólares Venezuela critica mídia no caso de mala com dólares O comunicado da Promotoria informa que o tribunal tomou a decisão porque, "entre outras razões", García se negou "em seis oportunidades" a comparecer para depor no processo contra seu chefe. García é um dos jornalistas que, após a captura de Ramírez, continua denunciando diversos supostos casos de corrupção na estatal. O chefe de redação do diário foi detido em 12 de junho, acusado de tentar chantagear um empresário do setor petrolífero, segundo denunciou então o ministro do Interior, Pedro Carreño. "Ramírez submete a escárnio público empresários e funcionários dos governos nacional e regionais. Quando eles procuram o jornalista para esclarecer que não estão cometendo os crimes de que são acusados, tenta a extorsão", acusou Carreño na ocasião. Na semana passada, García e o diretor e editor responsável do Reporte de la Economía, o sacerdote José Palmar, entregaram à Assembléia Nacional (Parlamento) documentos sobre 63 supostos casos de corrupção na PDVSA. As supostas provas foram empilhadas no que os denunciantes chamaram de "carrinho de mão da corrupção", envolvendo diretores de alto nível da PDVSA, inclusive o seu presidente, o ministro da Energia, Rafael Ramírez. Palmar disse aos parlamentares que, se publicasse tudo o que sabe sobre casos de corrupção na estatal, "Chávez teria caído". Algumas das denúncias estão relacionadas com contratações multimilionárias sem que as empresas favorecidas prestassem os serviços requeridos. O ministro Ramírez deve explicar os casos, segundo o deputado Luis Tascón. Apesar de governista, ele enfatizou que progressivamente vai se convencendo da existência de que há pelo menos "irregularidades" na empresa petrolífera. "A Assembléia Nacional revolucionária está obrigada pelo povo a buscar os responsáveis no caso de irregularidades", ressaltou recentemente o parlamentar. Mais prisões A promotora María Luz Rivas Diez pediu a captura internacional do venezuelano que tentou entrar na Argentina com uma maleta com quase US$ 800 mil sem declarar, no último dia 4, em um vôo oficial, contratado pela energética argentina Enarsa.  Além da prisão de Guido Alejandro Antonini Wilson, a promotora não descarta pedir a detenção do ex-funcionário argentino Claudio Uberti, braço direito do ministro de Planejamento, Julio De Vido, demitido na semana passada.  Uberti era um dos oito passageiros do vôo de Caracas a Buenos Aires e responsabilizado pelo presidente Néstor Kirchner por ter permitido um "estranho" subir ao avião oficial. Rivas Diez afirmou ainda que vai investigar se o dinheiro seria descarregado no aeroporto boliviano de Santa Cruz de la Sierra.

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