Troca de liderança nas Farc alimenta esperanças de paz

Analistas afirmam que nomeação de Alfonso Cano pode acelerar negociações com o governo colombiano

LUIS JAIME ACOSTA, REUTERS

26 de maio de 2008 | 13h02

As mudanças ocorridas na cúpula da guerrilha Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) depois da morte de seu fundador e principal líder, Manuel Marulanda, podem levar o grupo rebelde a iniciar negociações de paz com o governo colombiano e a libertar reféns, disseram políticos e analistas.   Veja também: Colômbia duvida que infarto tenha matado Marulanda Comandante escolhido é visto como ''amante da boa vida''  Por dentro das Farc  Histórico dos conflitos armados na região   Timochenko confirma a morte de Tirofijo  As Farc anunciaram no domingo que Marulanda morreu no dia 26 de março devido a um ataque cardíaco e que, no lugar dele, foi nomeado Alfonso Cano, um ideólogo que representa o setor político da guerrilha e que participou de diálogos de paz ocorridos em 1991 e em 1992.    "Isso deve ser um sinal de que a ala política das Farc conseguirá realmente compreender, de uma vez por todas, que será por meio de uma solução política negociada que chegaremos à paz", afirmou o ex-presidente colombiano Andrés Pastrana, que tentou selar a paz com o grupo rebelde em um processo transcorrido entre 1999 e 2002.  "Alfonso Cano sempre foi um homem que liderou essa ala política dentro das Farc", argumentou o ex-dirigente. Segundo o governo colombiano, Marulanda, o mítico guerrilheiro que comandou as Farc durante mais de quatro décadas, possuía uma visão arcaica do país e do mundo, defendendo doutrinas responsáveis por impedir a realização da paz por meio de negociações porque ele interpretava isso como uma derrota militar de seus princípios. Enquanto Marulanda, considerado o guerrilheiro mais antigo do mundo, era uma pessoa de origem camponesa e sem educação formal, seu sucessor, 59 anos, é visto como um intelectual com formação universitária e uma visão atualizada a respeito do mundo. "A morte de Marulanda representa uma oportunidade para que as Farc se sentem à mesa de negociações com o governo colombiano, se sentem à mesa de negociações com o Estado colombiano", afirmou a senadora Marta Lucia Ramírez. No entanto, antes de selar a paz, ao final de um processo eventualmente complexo e demorado, Cano terá de tratar do tema do acordo humanitário que tenta libertar 40 reféns de peso, entre os quais a ex-candidata à Presidência da Colômbia Ingrid Betancourt e três norte-americanos, disseram analistas. As Farc tentam, por meio desse acordo, trocar com o governo colombiano seus reféns por cerca de 500 guerrilheiros presos, mas o atual presidente do país, Álvaro Uribe, que, com a ajuda dos EUA, leva a cabo uma grande ofensiva militar contra o grupo rebelde, nega-se a atender à exigência sobre desmilitarizar uma grande área de montanha a fim de criar uma zona segura onde ocorreriam as negociações. "É possível que, com a chegada de Cano, haja um enfoque maior na questão política e que se busque uma saída negociada, mas isso não significa que os guerrilheiros deixarão de fazer várias exigências ao negociar", afirmou o analista de política Pedro Medellín.

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